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ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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>>Surfando nas ondas do rádio
>>Muita estatística e pouca precisão

Por Luciano Martins Costa em 16/08/2010 | comentários

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Surfando nas ondas do rádio


Reportagem na Folha de S.Paulo desta segunda-feira revela que praticamente triplicaram as concessões, pelo governo federal, de novas licenças ou renovações para exploração de emissoras de rádio em todo o País.


Segundo o jornal paulista, que analisou decretos conjuntos da Presidência da República e do Ministério das Comunicações, foram autorizadas 183 emissoras comerciais ou educativas em 162 municípios neste ano de 2010.


Para comparar, a reportagem lembra que durante todo o ano de 2009 foram feitas 68 autorizações.


A Folha relaciona o aumento do número de licenças ao fato de estarmos em ano eleitoral.


O Ministério das Comunicações atribui o crescimento a mudanças na estrutura interna, que permitiu dar vazão a cerca de 2.500 solicitações que estavam retidas no sistema burocrático do ministério.


Algumas das concessões regularizadas neste ano estava vencidas desde a década de 1990.


Das 183 licenças novas ou renovações concedidas nos últimos meses, 76 são ligadas a políticos e 28 estão sob controle, direto ou indireto, de instituições religiosas católicas ou evangélicas.


Entre os beneficiados estão o senador Lobão Filho, o ex-deputado federal Romeu Queiroz e o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado e personagem daquele caso policial que o jornal O Estado de S.Paulo está proibido de noticiar há mais de um ano.


A reportagem da Folha insiste na concentração das licenças concedidas em período de eleições, mas não avança na questão da propriedade das emissoras.


Afinal, por que esses personagens são os beneficiários dessas concessões?


Será que não há disputa por essas licenças?


Se há concorrência, por que são sempre políticos ou religiosos os vencedores?


Além de se prender ao fato de as licenças se concentrarem em ano eleitoral, o jornal poderia fazer um serviço melhor aos seus leitores explicando como funciona o sistema de concessões, que concentra cada vez mais o poder da mídia nas mãos dos mesmos.


Muita estatística e pouca precisão


Alberto Dines:


– No sábado à noite, os telejornais da BBC incluíram um despacho do correspondente  brasileiro, Paulo Cabral, sobre um dramático aumento no número de focos de queimadas no Brasil em comparação com 2009. Embora sem imagens, a notícia foi dada com extensão e incluída ao lado das impressionantes reportagens sobre os incêndios na Rússia, os 20 milhões de desabrigados pelas chuvas no Paquistão e o luto na China pelos 1.200 mortos num deslizamento também provocado por enchentes.


O que distinguia os incêndios no Brasil  das demais catástrofes era o agente causador: só aqui os homens eram os responsáveis, na Rússia, Paquistão e China os desastres tinham causas naturais. O correspondente da BBC certamente utilizou os dados de uma reportagem de página inteira, publicada no próprio sábado pelo Estadão  (14/8, p. A-22) mostrando um aumento de 85%. e a informação do Globo no mesmo dia, também destacada na primeira página, ainda mais assustadora: o crescimento do número de focos de incêndio no Brasil foi de 179% (pg. 16).


Chama a atenção o fato de que dois grandes jornais utilizaram a mesma fonte, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), para produzir dados estatísticos tão discrepantes. A diferença entre os percentuais mostrados pelos dois jornalões é de mais do dobro (segundo o Globo os focos de incêndio subiram de 73 mil para 204 mil, segundo o Estadão a subida foi de 14 mil para 25 mil). Esta elasticidade numerológica escancara uma realidade: apesar da sedução estatística, a grande imprensa ainda não conseguiu produzir um padrão mínimo de precisão.


Mais grave ainda é que um aumento tão expressivo no número de focos de incêndio e o noticiário da BBC não tenham chamado a atenção dos demais veículos, sobretudo os portais da internet. Comprova-se mais uma vez que nos fins de semana nossas redações só funcionam para cobrir eventos esportivos.

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