Quinta-feira, 04 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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>>Julgamento apressado
>>OAB cansou do ‘Cansei’

Por Luciano Martins Costa em 07/08/2007 | comentários

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Julgamento apressado

Luciano:


A tragédia com o Airbus da TAM em Congonhas deixa as manchetes. Mas não se reduzem os debates sobre como a imprensa trata certos acontecimentos. É o que observa Alberto Dines


Dines:


Pouco adiantou vazar os dados da caixa-preta do Airbus da TAM jogando a culpa nos pilotos. Já apareceram pelo menos quatro hipóteses muito bem fundamentadas que contestam as conclusões precipitadas oferecidas pelos vazamentos da semana passada. Como já foi dito aqui, jornalista não guarda informações, seu dever é divulgá-las, mas não pode fazê-lo como se faz com uma batata quente. Antes de oferecê-la é preciso deixar que esfrie. Vazamentos açodados,  sem investigação, confundem mais do que esclarecem. Este é o assunto do ‘Observatório da Imprensa’ desta noite: às onze e quarenta na Rede Cultura e às dez e quarenta, ao vivo, na TV-E.


Luciano:


O inferno de Renan


O senador Renan Calheiros é unanimidade nos jornais de hoje. Ele é o tema principal em todas as edições, por conta da abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal.


Os magistrados vão apurar as suspeitas de falsificação de documentos e enriquecimento ilícito que pesam contra o presidente do Senado.


O Estado de S.Paulo produziu um quadro que retrata os 73 dias do inferno de Renan.


Tudo começou em 25 de março, quando a revista Veja publicou que o senador do PMDB havia usado os serviços do lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, para pagar despesas pessoais de uma ex-amante.


O inferno de Renan se completa com outra denúncia de Veja, segundo a qual ele teria usado ‘laranjas’, ou ‘testas-de-ferro’, como se dizia antigamente, para comprar uma participação em duas emissoras de rádio em Alagoas.


E tem mais. Com o fim dos Jogos Panamericanos do Rio e a diminuição do interesse pelo acidente da TAM em Congonhas, Renan é de novo a ‘bola da vez’.


Culpa da imprensa


O senador alagoano reagiu como muitos outros políticos implicados em escândalos: acusou a imprensa, e especificamente a revista Veja, de usá-lo como cortina de fumaça para encobrir outros fatos.


No caso de Veja, segundo Renan, as acusações seriam uma tentativa da editora Abril de fazer uma ‘cortina de fumaça’ para encobrir supostas irregularidades na venda da TVA – a empresa de TV a cabo do grupo – para a espanhola Telefônica.


Veja reagiu com uma nota na qual escorrega para a megalomania. Dizem os editores que Veja ‘investiga, apura e denuncia tudo o que prejudica o Brasil e os brasileiros’.
 
Cartas na manga


Sob fogo cerrado, o presidente do Senado Federal resiste como poucos, em toda a história da República, lembra o Estadão.


Senadores ouvidos pela Folha de S.Paulo observam que o poder de Renan se dissipou nos últimos dias, com as novas denúncias.


E a Folha atira outra pedra, desta vez acusando o senador de haver declarado por menos da metade do valor um apartamento em Maceió que seria avaliado em 800 mil reais.


Até antigos apoiadores começam a abandoná-lo, mas depois de dois meses e meio de pressões, Renan Calheiros ainda revela disposição para resistir às sugestões para que peça afastamento do cargo ou renuncie ao mandato.


Depois da denúncia de haver usado recursos de uma empresa privada para pagar pensão para a ex-amante, com a qual teve uma filha, Renan também foi acusado de ter favorecido a cervejaria Schincariol junto ao INSS.


O relator do Supremo Tribunal Federal promete analisar todas as denúncias, e outras que ainda podem ser acrescentadas ao currículo do senador.


Paralelamente, correm ainda os procedimentos no Conselho de Ética do Senado, que pode pedir sua cassação por falta de decoro.


Lama no ventilador


A tumultuada saída do ex-presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, que levantou suspeitas de corrupção contra a diretora da Agência Nacional de Aviação Civil, Denise Abreu, abre outra pauta interessante para os jornais.


Assim, o desastre da TAM em Congonhas enriquece a agenda dos escândalos. A CPI que investiga os problemas na aviação vai convocar Denise Abreu para se defender da acusação de Pereira, de que ela havia favorecido um amigo ao tentar transferir o setor de cargas de Congonhas e Viracopos para o aeroporto de Ribeirão Preto.


A entrevista, na qual Pereira deixou o cargo atirando, foi publicada pelo Globo na segunda-feira. Denise Abreu diz que vai processar Pereira por acusação caluniosa. Pelas normas da Agência, ela não pode ser demitida.


OAB cansou do ‘Cansei’


Dos três principais jornais brasileiros, somente a Folha de S.Paulo deu destaque para a decisão da Ordem dos Advogados do Brasil de recusar apoio ao movimento iniciado por sua seção paulista.


A campanha, denominada ‘Cansei’, pretende promover manifestações contra situações que seus organizadores classificam como de responsabilidade do governo.


A Folha diz que o movimento nasceu dentro do escritório do empresário João Dória Jr., ligado ao PSDB. O ponto alto da campanha, previsto para o dia 17, é uma concentração de pessoas no local do acidente da TAM e um minuto de silêncio em homenagem às vítimas.


Mas, segundo a Folha, o presidente da Ordem no Rio de Janeiro. Wadih Damous, esvaziou o movimento na OAB ao dizer que havia um ‘fundo golpista’ por trás da iniciativa.


Deportação de cubanos


Os jornais destacam a reação, ainda que tardia, de alguns parlamentares à deportação dos pugilistas cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, que desertaram durante os Jogos Panamericanos do Rio.


Representantes da oposição pediram a convocação do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e do novo ministro da Defesa, Nélson Jobim. E o petista Eduardo Suplicy pediu explicações ao Itamaraty e manifestou preocupação com o destino dos jovens atletas.


O tema pode ser requentado nos próximos dias. A depender do que vai acontecer aos pugilistas em Cuba.

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