Terça-feira, 22 de Setembro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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>>Mídia e Jucidiário
>>A mídia e o racismo

Por Mauro Malin em 23/04/2007 | comentários

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Mídia e Judiciário

Alberto Dines comenta a posição da imprensa em face das investigações que envolvem altas figuras do Judiciário.

Dines:

– A decisão do ministro Cesar Peluso do STF de soltar os magistrados implicados no novo escândalo das propinas dá uma idéia do grau de dificuldades que o Estado brasileiro terá para moralizar o poder judiciário. Mas os jornais de domingo foram excepcionalmente firmes, considerando que para a imprensa é muito desconfortável confrontar-se com um poder do qual vai precisar em caso de processos, indenizações, etc. O que se espera agora da mídia é a sua capacidade de recapitular e relacionar. Mas recapitular além da sexta-feira 13 quando foi desfechada a operação Hurricane. A mídia precisa rever com muita atenção aquele escândalo Waldomiro Diniz, de Fevereiro de 2004. O alto funcionário do então-chefe da Casa Civil, José Dirceu, foi flagrado ao extorquir dinheiro de um bicheiro. Durante as investigações, apareceram os mesmos ingredientes e alguns personagens da super-máfia agora desbaratada pela Polícia Federal — a máfia dos bingos, o lobby das lotéricas estaduais e o tráfico de influência entre autoridades, magistrados e delinqüentes. Alguns dos delinqüentes então mencionados reapareceram agora. Como? Simplesmente porque não foram enquadrados, indiciados e punidos há três anos. Outros magistrados os acolheram sob o seu manto protetor. As autoridades policiais estão fazendo a sua parte, mas a imprensa não pode abdicar do seu dever de lembrar. Mesmo que a Justiça seja lenta, mesmo que ela seja incapaz de superar o corporativismo, é imperioso vencer os lapsos de memória.

A mídia e o racismo

A ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, foi alvo de uma pesada artilharia devido a uma frase dita em entrevista à BBC Brasil: “A reação de um negro de não querer conviver com um branco ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso”. No título ficou “Não é racismo se insurgir contra branco” e seguiu-se a saraivada de críticas. A ministra faz um balanço do episódio.

Matilde:

– A área que eu desenvolvo no governo Lula é uma área delicada para a sociedade brasileira, uma vez que durante a maior parte da nossa existência nós fomos induzidos, enquanto nação, a pensar que o racismo não existe, que as desigualdades são sociais, e que vivemos num país com a democracia racial. Qualquer informação fora deste vetor causa polêmica; eu dei uma informação que causou margem a interpretações polêmicas. Qualquer setor midiático exploraria isso como uma polêmica.

Mauro:

– A senhora diria que a própria BBC foi a primeira a fazer isso?

Matilde:

– A frase que foi destacada de uma resposta mais ampla causou margem a interpretações conflituosas e polêmicas. Na minha resposta, o conteúdo era muito mais amplo que este. Eu dizia que, devido à forma do racismo e da discriminação racial no Brasil, se poderia chegar a este resultado. Mas na mesma frase eu disse que não concordo com isso, que não acho isso uma boa.

Isso despertou interesse porque também foi para a televisão, foi para o rádio, mas principalmente a mídia escrita manteve o tema em evidência durante 15 dias. Justamente porque é um tema importante. Se não fosse, não teria a visibilidade que teve. De qualquer forma, eu acho importante que o debate seja feito. Não é muito prazeroso para ninguém estar em evidência da maneira como estive, mas é muito importante que o trabalho seja divulgado.

Clique aqui e leia a entrevista de Matilde Ribeiro integralmente.

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