Quinta-feira, 04 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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>>O outro lado
>>CPI do grampo

Por Luciano Martins Costa em 27/08/2007 | comentários

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O outro lado

A primeira entrevista do presidente Lula ao jornal O Estado de S.Paulo, um dos baluartes da oposição ao atual governo, é um belo exercício para a observação da imprensa.

É como se o leitor estivesse tendo a oportunidade de ouvir ‘o outro lado’ anos depois.

O noticiário sobre o julgamento do caso ‘mensalão’ no Supremo Tribunal Federal é outra lição, por motivos diferentes.

A decisão dos ministros do Supremo pode definir o quadro político daqui para a frente.

Alberto Dines:

– Antes de se conhecer o destino da CPI armada na Câmara para investigar negócios da TVA, do Grupo Abril, alguns dados precisam ficar muito claros. Trata-se de uma revanche pessoal do senador Renan Calheiros contra a revista Veja que vem denunciando diversos negócios seus, todos comprovadamente irregulares. Quem está colaborando com o presidente do Senado nesta operação vingativa é o seu antecessor Jader Barbalho, hoje deputado e cujos negócios pessoais, igualmente escusos, foram devassados pelo mesmo semanário há alguns anos. Terceiro dado relevante: grande parte dos deputados que assinaram o requerimento para a convocação da CPI são do PT,  que assim encontraram um meio de desforrar-se dos ataques da revista a certos atos e políticas do governo. Este encadeamento de retaliações, bem no estilo do cangaço e da máfia, tem um objetivo único: calar um veículo jornalístico. Isso fica bem na Venezuela feudal, não no Brasil. Tanto o presidente do Senado como o próprio governo têm meios para investigar a venda da TV-A à Telefônica. Uma CPI contra um veículo jornalístico é fato inédito, extremamente perigoso. O imperador D. Pedro II dizia que a imprensa só pode ser remediada pela imprensa. Na democracia, um eventual sensacionalismo não se corrige com esta dose tripla de revanchismo.

Luciano:

A entrevista

Foram quatro páginas de uma conversa do presidente da República com quatro experientes jornalistas de O Estado de S.Paulo, entre eles o diretor de Conteúdo, Ricardo Gandour. A entrevista foi publicada na edição deste domingo do Estadão.

Muito à vontade, o presidente falou do escândalo que abalou seu primeiro mandato e revive agora no julgamento do Supremo Tribunal Federal. Defendeu a reforma política, falou da crise no setor de aviação civil, falou de diplomacia e, principalmente, garantiu que não mexerá nas regras eleitorais nem aceitará uma extensão do seu mandato em 2010 – ‘nem que o povo saia às ruas para pedir que fique’.

Lula parece mais à vontade do que seus entrevistadores. A edição da entrevista, bem elaborada, ressalta essa impressão, destacando brincadeiras do presidente durante trechos da conversa e comentando seu estado de espírito no momento em que o tema ‘mensalão’ entra em pauta.

O encontro entre o presidente mais popular da história da República e o jornal que personaliza a oposição ao seu governo, publicada ontem, é um momento memorável na nossa recente crônica política.

Inconfidências

As revistas semanais fazem referência à revelação do Globo, que na quinta-feira escancarou os bastidores do Supremo Tribunal Federal ao divulgar trechos de conversas online dos ministros Ricardo Lewandowski e Carmen Lúcia.

As inconfidências foram analisadas por todas elas, mas Carta Capital e Época avançaram com mais coragem nas entrelinhas das intrigas da corte, permitindo a seus leitores entender melhor como a política interna pode interferir em decisões na mais alta instância do Judiciário brasileiro.

Nada nas mangas

As revistas semanais seguem demonstrando certa crise de identidade.

A rigor, continuam tratando os grandes temas com simples resenhas dos fatos noticiados nos dias anteriores, sem apresentar novidades resultantes de seus próprios esforços de investigação.

Veja tentou requentar o noticiário sobre os primeiros movimentos no julgamento do Supremo Tribunal Federal, mas seu texto soa como provocação aos brios dos magistrados.

Em estilo desdenhoso que beira o desrespeito, a revista descreve bocejos e conversas paralelas, comuns em todas as sessões que transcorrem com longas e cansativas leituras, passando ao leitor uma imagem leviana da suprema corte.

Ao final, a revista lembra que, desde a Constituição de 1988, o STF examinou 130 ações penais, das quais apenas seis chegaram ao fim e nenhuma delas condenou uma autoridade pública.

Na conclusão do texto, Veja deixa uma pergunta que, primariamente, representa a cobrança antecipada de uma condenação dos acusados por parte do tribunal.
Soa como se a revista pretendesse, com a provocação, levar os ministros a julgar com mais rigor.

CPI do grampo

Veja voltou à história do suposto grampo em telefones de ministros do Supremo Tribunal Federal – história à qual só ela deu crédito.

As demais publicações ignoraram o assunto, devidamente esclarecido e enterrado ao longo da semana passada.

Mas a revista de maior circulação do País se nega a aceitar que cometeu uma ‘barrigada’ ao apostar na história.

O texto sobre a abertura de uma CPI do Grampo, sob o título ‘Grampos na mira’, usa a reportagem desmentida como suporte para uma notícia que pode fazer todo sentido: em algum momento, o Legislativo precisaria discutir os limites do uso, por autoridades policiais, da invasão de privacidades em busca de indícios de crimes.

Mas não é a partir de uma suposta invasão, que a imprensa em geral já demonstrou fantasiosa, que o Congresso vai chegar mais perto de estabelecer algum controle sobre o risco da bisbilhotice generalizada.

Grampo pode dar cadeia

A Folha de S.Paulo traz hoje detalhes da lei em estudos no Ministério da Justiça, na qual se propõe mais rigor na punição da gravação e divulgação de conversas telefônicas, o chamado ‘grampo’.

As penas previstas para quem divulgar, transcrever, decodificar ou usar por qualquer meio o resultado de operação de escuta protegida por segredo de justiça poderão chegar a 4 anos de prisão.

Um detalhe polêmico do ante-projeto se refere à possibilidade de condenação para quem ‘divulgar gravação de sua própria conversa com outra pessoa, sem conhecimento do interlocutor’.

A gravação de conversas telefônicas é comum em negociações de contratos, entrevistas jornalísticas ou acadêmicas e conversas entre clientes e advogados.

Dia de Dirceu

O Supremo Tribunal Federal começa a julgar hoje, a partir das 14 horas,  o ponto central do chamado escândalo do mensalão.

O ex-ministro José Dirceu, apontado como líder de uma organização criminosa responsável pelo suborno de deputados do PP, PTB, PMDB e PR (ex-PL), é a figura central na corte.

Estará no banco dos réus com outros ex-dirigentes do PT, além do grupo de publicitários envolvidos na suposta formação de caixa 2 na campanha eleitoral de 2002.

Se for aceita a denúncia de formação de quadrilha, e Dirceu for colocado na linha de tiro, começa a mudar o quadro político para as eleições de 2010.

O futuro do PT

Com a perspectiva mais concreta de condenação do ex-ministro, muito provavelmente o equilíbrio das forças internas no Partido dos Trabalhadores sofrerá mudanças.
Dirceu estará enfraquecido.

Até mesmo a disposição do partido de fechar questão em torno de  candidato próprio à sucessão do presidente Lula, em 2010, deverá ser afetada pela decisão que será tomada a partir das 14 horas de hoje pelo Supremo Tribunal Federal.

O STF não julga agora apenas o chamado ‘mensalão’. Está sendo definido o perfil futuro do partido do governo.

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