Quinta-feira, 04 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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>>As fotos e o fato

Por Luciano Martins Costa em 20/09/2007 | comentários

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O voto e os bastidores

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou por unanimidade proposta de emenda constitucional que acaba com todas as votações secretas no Congresso.

Renan Calheiros já avisou que vai entrar com recurso para evitar que a medida entre em vigor antes da votação de seus processos.

Parece que o Senado está disposto a eliminar de vez o sigilo nas decisões dos parlamentares.

Parece, mas não é.

A leitura cuidadosa dos jornais revela que, na verdade, não é bem assim.

O próprio relator do projeto, Tasso Jereissati, defendeu a manutenção do voto secreto no caso da votação de vetos e de indicações de autoridades.

Em 2003, uma emenda semelhante foi derrubada no Senado, e na Câmara a mesma proposta está esperando há um ano a votação em segundo turno.

Para tornar as votações abertas, o projeto de emenda precisa ser aprovado duas vezes na Câmara e duas vezes no Senado, por maioria absoluta.

Sem registros

A votação secreta no primeiro julgamento de Renan Calheiros, semana passada, não deixou qualquer possibilidade de recuperar para a história os dados da sessão.

A secretária-geral da Mesa do Senado, Cláudia Lyra, disse à Folha de S.Paulo que o sistema eletrônico registrou os votos dos senadores numa memória provisória, que se apagou minutos depois de anunciado o resultado.

Renan Calheiros acrescenta à sua biografia essa lacuna na história da República.

Vitória parcial

Todos os grandes jornais trazem como manchete hoje a aprovação da prorrogação da CPMF em primeira votação, na Câmara dos Deputados.

Mas todos eles também descrevem o estado de tensão do Executivo com a fragilidade da sua base de apoio.

O Estado de S. Paulo destaca que o governo teve que aprovar rapidamente a concessão de algumas verbas de interesse de deputados.

O Globo informa que a bancada do PMDB mineiro fez jogo de cena, tentando usar a votação da CPMF para forçar o governo a lhe dar a indicação do diretor de relações internacionais da Petrobras.

No toma-la-dá-cá, o projeto passou com quase 50 votos a menos do que o Executivo esperava.



Quem perde

O governo negocia cargos e os fabricantes de calçados, de móveis e a indústria têxtil acabam perdendo.

Para destravar a pauta e votar a CPMF, o Executivo tirou da frente a Medida Provisória 382, que aliviava a situação desses setores industriais, muito pressionados pela concorrência internacional.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, entrou em campo para tentar tranquilizar os empresários.

Com a ajuda do vice-presidente José Alencar, que é dono de indústria têxtil, Mantega garantiu que o governo vai reapresentar a proposta por meio de um projeto de lei.

Mas muitos empresários já engavetam seus planos de modernização e crescimento.

As fotos e o fato

O Estado de S.Paulo e a Folha publicam hoje em suas primeiras páginas fotografias do encontro entre o presidente Lula e o senador Renan Calheiros.

O Estado apenas comenta que o governo vai deixar Renan sob observação até o final da votação da prorrogação da CPMF.

A Folha chega a fazer blague, com a legenda ‘Bons companheiros’ – referência direta a um filme de sucesso sobre a máfia.

Mas internamente os jornais mostram que Renan sofreu constrangimenos na primeira visita ao Planalto após sua absolvição.

O Globo informa que os fatos são diferentes do que induzem as fotos.

Segundo o jornal carioca, o presidente Lula tratou com frieza, publicamente, o presidente do Senado.

Segundo o Estadão, Renan tomou um ‘chá de cadeira’ de meia hora antes de ser recebido.

Prazo de validade

Os jornais observam que o presidente Lula quer avaliar nos próximos dias se Renan Calheiros ainda tem alguma autoridade no Senado.

Se Renan não conseguir vencer o boicote da oposição, que se nega a votar durante as sessões presididas por ele, o Executivo vai abandoná-lo no próximo julgamento.

É como se tivessem colocado no presidente do Senado uma etiqueta com prazo de validade.

Equilíbrio perigoso

O cenário político nesta semana é apenas um ensaio para os desafios que vêm pela frente.



O frágil equilíbrio de forças no Congresso pode desandar com as novas turbulências previstas.

Na próxima semana, é possível que o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, apresente ao Supremo Tribunal Federal as denúncias no caso que a imprensa chama de ‘mensalão mineiro’.

O esquema, que teria sido montado pelo publicitário Marcos Valério em Minas Gerais, é apontado como a matriz do sistema de desvio de dinheiro para caixa-2 em campanhas eleitorais que envolveu ex-dirigentos do PT e parlamentares da base aliada.

Teste para a imprensa

A nova versão do escândalo tem como epicentro o senador tucano Eduardo Azeredo, que teria recebido a ajuda de Marcos Valério em sua campanha para a reeleição, quando era governador de Minas, em 1998.

Mas também pode envolver o ministro Walfrido dos Mares Guia, o que implicaria o governo nessa história.

A Folha de S.Paulo saiu na frente e traz reportagem informando que o Ministério Público descobriu desvios de dinheiro de estatais mineiras para a empresa de Marcos Valério.

Numa delas, tratava-se do patrocínio de um evento de ciclismo que nunca se concretizou.

A forma como os jornais abordarem essa história pode dar ao leitor uma idéia sobre o verdadeiro compromisso da imprensa com a ética na política.

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