Terça-feira, 26 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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OBSERVATóRIO DA IMPRENSA > Editorial

Jornalismo do presente e do futuro: os temas do ano no Observatório da Imprensa

Por Equipe do Observatório da Imprensa em 18/12/2019 na edição 1068

(Foto: Reprodução)

Nesta edição especial de final de ano, reunimos uma breve retrospectiva das matérias mais lidas durante 2019 e também a íntegra do conteúdo produzido em dois projetos relevantes do Observatório da Imprensa: Atlas da Notícia e Cartas na Mesa. O conjunto dos artigos mais lidos retrata um ano de ataques ao jornalismo e à liberdade de expressão. Assuntos como antiintelectualismo, os gurus das redes sociais, a não exibição do filme Marighella no país, a importância da Vaza Jato e do jornalismo do The Intercept Brasil indicam a preferência dos temas de interesse dos leitores.

Já a publicação dos cinco episódios da série de podcasts do projeto “Cartas na Mesa” – parceria entre o Observatório da Imprensa e o curso de Jornalismo da ESPM – permite ao leitor acessar discussões que circundam a prática do jornalismo na sociedade. “Desafios e oportunidades para melhor governança ética do jornalismo”, “Como a lógica do clique favorece a desinformação”, “O legado e o futuro do projeto Comprova”, “Feedback acionável – como as redações podem e devem conversar com a audiência” e “Desafios e oportunidades para maior diversidade ética no jornalismo brasileiro” foram os temas escolhidos para os episódios semanais publicados entre novembro e dezembro. Duplas de jornalistas debateram cada um deles e falaram sobre aspectos relevantes para a atualidade e o futuro do jornalismo.

O projeto Atlas da Notícia, em seu terceiro ano, trouxe novos dados sobre os desertos de notícias no Brasil, com análises regionais feitas por pesquisadores, buscando aprofundar e iluminar o tema do jornalismo local no país.

Para além da retrospectiva, trazemos também conteúdos inéditos, como o artigo do professor Francisco Ladeira, “Um ano de retrocesso”, que analisa as relações entre a mídia e o governo Bolsonaro em 2019. Da Suíça, Rui Martins faz uma arqueologia das relações entre religião e Estado, no Brasil, para demonstrar que a intolerância pode nos levar a uma realidade como a iraniana. O tema das religiões evangélicas na América Latina é também abordado num artigo do diretor do Observatoire de l’Amérique Latine, Jean-Jacques Kourliandsky. E Caroline Marques Maia e Vinícius Nunes Alves abordam a importância do jornalismo científico no contexto brasileiro atual.

Temos também conteúdo das editorias criadas há pouco no Observatório: Equidade racial e Sistemas alimentares. Fizemos, para esta edição, uma curadoria de conteúdos debatendo a equidade racial no jornalismo e na mídia brasileira. Gabriela Erbetta entrevistou Maria Laura Louzada, professora da USP, sobre a abordagem de alimentos ultraprocessados pela imprensa. “O que ainda existe muito na mídia é essa visão da solução do problema como algo absolutamente individual, como se as pessoas pudessem resolver todos os problemas da má alimentação com suas escolhas – como se não tivesse nenhuma determinação social, publicidade, influência da indústria, como se a gente fosse absolutamente livre para, de um dia pro outro, parar de comer ultraprocessados e seguir a vida”, avalia a pesquisadora.

E, como jornalismo é produção de memória, Hugo Sukman lembra como foi, há 25 anos, a cobertura da morte do nosso maestro soberano, Tom Jobim. “Trabalhamos muito naquele dia 8 de dezembro. E saímos de lá, já tarde da noite, dez ou onze, ainda emocionados, e fomos beber ao Tom em um de seus territórios, o Baixo Leblon. Ficamos até o dia amanhecer num Jobi ainda antes da reforma, ainda botequim, e eu só lembrava daquela sua parceria com Chico, a introdução à Turma do Funil ambientada justamente no Baixo Leblon: “quando é tão densa a fumaça que o tempo não passa e a porta do bar já fechou, quando ninguém mais tem dono, o garçom tá com sono e a primeira edição circulou…”

Dos antigos espaços boêmios que conectavam redações e bares aos desafios da era tecnológica da pós-verdade, o jornalismo segue se reinventando. E se hoje temos esse espaço de debate, o devemos aos nossos antecessores, particularmente a Alberto Dines, que idealizou e criou o projeto do Observatório da Imprensa. Agradecemos também aos leitores, aos parceiros que permitem o compartilhamento dos conteúdos e aos colaboradores. Voltamos a partir do dia 07 de janeiro, com edições semanais. Um ótimo 2020.

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