Sexta-feira, 05 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
Menu

TV EM QUESTãO >

Como conquistar a audiência

Por Cristina Padiglione em 13/03/2012 na edição 685

É cada vez mais difícil conquistar audiência, admitiu o diretor-geral da TV Globo, Octávio Florisbal, no lançamento da nova programação da emissora, na semana passada. Se a diferença entre a Globo e o 2º lugar no Ibope (hoje, a Record) nunca foi tão pequena, também é verdade que a líder vem perdendo mais porcentual de público para a TV paga do que para as redes de sinal aberto.

Hoje, a soma de canais pagos e UHF chega perto dos resultados da Record. A Globo perdeu 22% de seu bolo de audiência em seis anos, período em que o número de televisores ligados teve oscilação nula e em que a TV paga triplicou seu público. O Brasil tem agora mais de 13 milhões de pagantes, a maior plateia de assinantes da América Latina. Na soma dos canais abertos, o 2º e o 3º lugares ainda marcam até 13 pontos porcentuais, afirma Florisbal, como em 1997 – a diferença, de lá para cá, é que o SBT perdeu a vice-liderança para a Record. Com isso, a TV aberta anuncia suas armas para garantir posição na preferência do público – e, portanto, do mercado publicitário, que em 2011 destinou 63% de sua verba aos canais abertos.

O discurso da Globo para 2012 vem todo apoiado no crescimento da classe C, hoje responsável por mais da metade do consumo do país. Florisbal fala com entusiasmo sobre crescimento econômico revertido em bens para o seu telespectador até quando pensa no futuro, a curto prazo, do hábito motivado pela TV móvel: a Globo acelera testes com tablets e smartphones, de olho na Copa de 2014.

Diferentes linhas de humor

Dona da Copa do Mundo até 2022, a Globo muito falou em futebol no lançamento da nova programação, mas nada mencionou sobre a Olimpíada de Londres, cujos direitos de transmissão pertencem à Record. Questionado, Florisbal prometeu que a emissora fará “uma cobertura digna da Olimpíada”, solicitando e creditando imagens à Record para noticiar os feitos dos atletas brasileiros. A ver.

A Record, que já bate na tecla de classe C há pelo menos dois anos, tem na Olimpíada o seu grande cartão de visitas do ano. Na teledramaturgia, prepara nova novela de Lauro César Muniz (Máscaras estreia em abril) e mais um seriado policial para este semestre – Fora de Controle será estrelado por Milhem Cortaz, o capitão Fábio de Tropa de Elite. Tropa 2, aliás, “osso duro de roer”, coprodução da Globo Filmes, emprestou sua contagiante trilha sonora aos filmes anunciados pela Globo para este ano, durante seu evento. Capitão Nascimento é, afinal, um ímã para atrair plateia de todas as classes.

Para o vice-presidente da Bandeirantes Marcelo Meira, a classe C merece atenção, mas o poder aquisitivo está em ascensão para todos. “Queremos pensar também nas classes A, B e D”, endossou Meira ao Estado durante o lançamento da programação da Band, realizado também na semana passada. Isso explica a presença, no mesmo canal, de José Luiz Datena e Ricardo Boechat, como de diferentes linhas de humor, agora representadas pela 4ª temporada do CQC (estreia amanhã) e pelo Pânico (a partir de 1º de abril), que deixou a RedeTV! e lá abriu vaga para Rafinha Bastos.

“A audiência em si não é uma obsessão”

A Band é capaz de investir em fofocas durante a tarde, com Adriane Galisteu, e num programa que motiva reflexão, como A Liga (estreia terça-feira, 13/03)), que agora soma Lobão e Cazé em seu time de repórteres. É verdade que a Globo também tem espaço para um Profissão Repórter, de Caco Barcellos, mas a regra agora é reduzir experimentações e investir em fórmulas já testadas pelo Ibope. Daí a releitura de Gabriela, de Jorge Amado, com Juliana Paes como protagonista e Humberto Martins como Nacib. Com texto de Walcyr Carrasco, a nova Gabriela ocupará a faixa das 23 horas, com 60 capítulos, dando sequência à bem-sucedida experiência de O Astro em 2011. Além de já habitar o imaginário da audiência, esses remakes de quatro meses no fim de noite representam diluição de custos – é mais barato aproveitar os mesmos cenários por 60 capítulos do que produzir ambientes para várias séries no período.

Em outubro, outra releitura, dessa vez para novela das 7, promete fisgar a plateia: Silvio de Abreu prepara nova versão de sua Guerra dos Sexos, sucesso de 1983. No lugar de Paulo Autran e Fernanda Montenegro estarão Tony Ramos e Irene Ravache. Na busca pela classe C, a rainha do technobrega Joelma será espelhada por personagem de Cláudia Abreu na próxima novela das 7, Cheias de Charme, que estreia em abril. No Zorra Total, sucesso estampado na audiência e na venda de DVDs, Janete (Thalita Carauta) e Valéria (Rodrigo Sant'Anna) inspiram a criação de um vagão inteiramente feminino no humorístico.

Na próxima novela das 9, Avenida Brasil, o protagonista, na pele de Murilo Benício, vive um ídolo do futebol, enquanto um lixão é um dos cenários centrais da história de João Emanuel Carneiro. As imagens da novela exibidas no evento da Globo impressionaram uma plateia de publicitários, anunciantes e jornalistas. “A audiência em si não é uma obsessão. A qualidade artística e o vigor editorial estão em primeiro lugar e a audiência é uma consequência”, ressaltou Florisbal.

Ben 10 e Chaves duelam com Globo e Record

No quesito humor, o Casseta & Planeta volta, agora em rodízios por temporadas. Aclamado pela audiência, Tapas & Beijos, com Andréa Beltrão e Fernanda Torres, entra em seu 2.º ano, enquanto A Grande Família inaugura seu 12º ano na grade fixa. Outros, como Louco por Elas, que estreia terça, com Du Moscovis, Déborah Secco e Glória Menezes, fazem parte das novas – e mais raras – experiências.

A Globo pouco fala ainda dos novos programas de Pedro Bial, que promete conversar com “gente interessante” no fim de noite, uma vez por semana, e de Fátima Bernardes, que ocupará parte da faixa matinal, determinando o fim dos infantis diários na emissora. O filão ficará inteiramente à disposição do SBT, que não tem motivos para abandonar o gênero: Ben 10, Chaves e companhia duelam com dignidade no Ibope com Globo e Record, ocupando com frequência a vice-liderança dos velhos tempos de Silvio Santos.

***

[Cristina Padiglione, do Estado de S.Paulo]

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem