Quarta-feira, 27 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Política é coisa séria?

Por Raul Juste Lores em 12/11/2013 na edição 772

As manhãs de domingo são o horário favorito da TV americana para tratar de política. Todos os grandes canais abertos (e os principais da TV paga) têm mesas- redondas com deputados, ministros, comentaristas e lobistas.

Mas a tradição, criada em 1947, com o “Meet the Press”, o programa mais antigo em atividade nos EUA, está ameaçada. Audiências têm caído, o público, envelhecido, e os convidados, com seus cabelos acaju e ternos acima do tamanho, se repetem por todos os canais.

Em contraponto, a política tem ganho terreno em outros horários da grade. Desde o início deste ano, duas das maiores audiências entre os “talks shows” de fim da noite são de comediantes que tratam quase exclusivamente do tema.

Jon Stewart, com o programa “The Daily Show”, e Stephen Colbert (“The Colbert Report”) são líderes entre o público de 18 a 49 anos. As duas atrações, do canal pago Comedy Central, têm deixado para trás figuras históricas como David Letterman e Jay Leno, das grandes redes abertas CBS e NBC.

Mas a maior sensação atual na TV americana, em termos de política, se chama Bill Maher. O militante ateísta comanda o programa “Real Time with Bill Maher”, que vai ao ar nas noites de sexta-feira na HBO norte-americana.

A atração já recebeu figuras distintas como o escritor Salman Rushdie e o cientista Richard Dawkins, o jornalista Glenn Greenwald e o cineasta Oliver Stone.

Maher, também produtor da série “Vice” (que andou levando os Harlem Globetrotters à Coreia do Norte), faz barulho defendendo posições como o fim do embargo a Cuba e ironizando o juiz da Corte Suprema que disse que o diabo existe. Seus monólogos ao final do programa, chamados de “new rules”, se tornaram imperdíveis para o público que, para se informar sobre o poder, trocou os políticos pelos humoristas.

Fusão latina

Quem não sofre com perda de público e tem filas de políticos querendo aparecer em seus programas é a Univision, rede famosa pela programação em espanhol.

Mas, como a imigração latino-americana encolheu nos últimos anos, o grupo tem cobiçado a geração de filhos de migrantes já nascidos nos EUA e que têm no inglês seu primeiro idioma.

Em parceria com a rede ABC, a Univision criou recentemente um canal para esse grupo, pretendendo, de quebra, atrair uma fatia do público jovem em geral, que anda deixando a TV aberta. Lançado há duas semanas, o “Fusion” já chega a 20 milhões de lares americanos.

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Raul Juste Lores é correspondente da Folha de S.Paulo em Washington

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