Domingo, 31 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

A triste sina da letargia

Por Emanuelle Najjar em 15/02/2011 na edição 629

Acho que para quem lê o blog Ponto de Vista não é segredo para ninguém o fato de que eu tive uma infância televisiva. Claro, isso não me faz expert em coisa alguma, mas o atributo da memória me faz valer em grandes aspectos. O tempo passou, meu interesse por televisão oscilou perigosamente à medida que a programação sofreu suas alterações. Algumas brindaram o passado, contemplaram o futuro… mas outras serviram como decepção e me trouxeram a vontade de usar uma expressão perigosa por trair a idade: a velha máxima do ‘no meu tempo…’

Um dos pilares de minha programação durante muito tempo foi o Vídeo Show. Sim, embora não seja cultural e instrutivo o bastante para muitos, admito que durante anos ele ocupou um dos lugares cativos em meu cérebro como um dos meus programas favoritos, porém atualmente o vejo ocupar o limbo televisivo. Um lugar onde habitam os mortos-vivos e, ao contrário dos zumbis que fazem a alegria de marmanjos em filmes de terror, essa posição não é uma coisa boa.

Soa cruel relembrar seu passado, dizer que naquela época, sim, era bom? Talvez, mas sou obrigada a admitir. Era um programa simples e talvez até relativamente barato, já que todo o infinito material que dispunham estava ali estava ao alcance pleno das mãos. Tinha bons apresentadores, um grande astral, um bom texto e uma marca forte. E o que resta agora?

Perguntinha cruel, essa…

Um sossego agonizante

Lembro de quando começaram a anunciar a grande reformulação do programa dirigido por Boninho. A suposta inovação do ‘ao vivo’, os novos apresentadores, as promessas de ‘mais que um programa institucional’. Um sucesso que não se concretizou porque no fim as modificações foram piores. Não restou mais do que apresentadores sem entrosamento – André Marques apresentando sozinho seria melhor –, um texto fraco e as matérias, que antes eram engraçadas, agora não despertam mais que um bocejo ou outro.

Agora comenta-se que seu diretor anda perdendo espaço nos programas da casa. Pelo menos é o que diz Fabíola Reipert em um post no seu blog com o sugestivo título ‘Boninho perde força e poder na Globo’ – afinal sutileza é o seu forte. Seu célebre Big Brother Brasil aparentemente não anda lá muito bem das pernas, sendo a principal preocupação no momento. Seu reinado estaria ameaçado também com a estreia de um novo programa que interferirá em seu reinado. Afinal, a programação das manhãs globais (Mais Você, de Ana Maria Braga, e TV Globinho) está sob seu comando, o que não será o caso do novato Bem Estar. Com isso, presume-se que ele esteja muito ocupado para lidar com um programa que aparentemente não sofre lá grandes ameaças.

Ignore o fato de Fabíola Reipert ser conhecida por sua pitada de maldade tida em seu perfil do R7 como fruto de má interpretação. De qualquer modo pode haver um fundinho de verdade interligada nessa decadência. Em uma lista de prioridades, certamente o Vídeo Show ocuparia a última posição aos olhos do público e de uma alta cúpula, mesmo que a jornalista afirme em seu post que o comando do programa também possa sair de suas mãos. Isso garante um bom período de letargia. Muito pouco há de se fazer quando o horário nobre é o carro-chefe de qualquer emissora.

De qualquer modo é triste ver um programa descansando em paz no mesmo sem estar exatamente morto, em um universo paralelo onde os zumbis não são lá tão adorados. Francamente duvido muito que um dia ele saia do ar, mas enquanto uma grande ideia não surgir, ele continuará em seu sossego agonizante.

Triste sina.

******

Jornalista

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