Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Apresentadora light, colorida e aromatizada

Por Cesar Valmor Machado Lopes em 11/01/2011 na edição 624

O programa Esquenta, da Globo, sob o comando da mais nova top model global – Regina Casé –, estreou no segundo dia do ano tentando emplacar no almoço dominical dos brasileiros. Poderia ser a salvação da TV nesse dia da semana, mas a melhor palavra que encontrei até agora para defini-lo foi artificial. A artificialidade do programa pôde ser percebida desde a gravação e montagem antecipadas, passando pela maquiagem e modelito salto alto da apresentadora. E por falar em apresentadora: quem é aquela mulher caminhando desajeitadamente por um cenário cheio de altos e baixos?

Pelo menos o cenário tinha altos e baixos, pois o programa só teve um ponto alto: a entrevista com o ex-presidente Lula. O presidente, em sua tradicional espontaneidade, parece ter despertado aquela apresentadora que conhecemos de ótimos programas que rodaram o Brasil e a África. Oba! Parece que ainda há salvação! Não, era apenas ilusão. Corta a cena de volta ao palco e lá está novamente uma apresentadora light, que só denuncia alguma personalidade no sotaque carioca. Mas a proposta é um programa no almoço de todos os brasileiros?

Poderia ter sido uma grande feijoada de domingo, havia todos os ingredientes, bons convidados músicos, uma apresentadora conhecida por sua irreverência e o selo global. Mas assim como não bastam bons ingredientes para a uma feijoada supimpa, também não bastaram os bons ingredientes à direção, que acabou produzindo um programa sem empatia, uma feijoada light sem a pimenta tradicional de Regina.

Domingo não é dia de dieta!

Mas toda boa cozinheira sempre pode sair por cima depois do fiasco com o prato principal, apresentando uma daquelas sobremesas espetacularmente saborosas, doces e lindas que nos fazem esquecer a comida insossa. O programa até tinha a entrevista com o ex-presidente Lula que, sem dúvida, foi a parte mais original, mostrando o presidente e a apresentadora que conhecemos. Todavia faltou ‘liga’ com as demais partes do programa, produzindo o artificialismo e a frustração de quem espera o pudim da vovó e depara com o flan diet cheio de edulcorantes.

E para concluir o frustrado almoço de domingo, eis que ‘baixa’ a loura cozinheira das manhãs globais na nova morena dominical: era o momento da famosa lição de moral, para que todos sejamos pessoas melhores, assim como a apresentadora ‘gente como a gente’. Para completar o quadro só faltava um louro falante. Opa! Ela já tinha conversado com o ‘sapo barbudo’, mais animais exigiria licença do Ibama.

Mesmo depois do convite da apresentadora-família-pasteurizada para que sempre a acompanhemos no Esquenta do almoço de domingo, temos a certeza que a grande estrela desses almoços vai continuar sendo a melhor: a deliciosa comida brasileira porque domingo não é dia de dieta! Nem de boa TV!

Viva o caruru, o churrasco, a muqueca, a feijoada, o barreado, a buchada, a caldeirada…. e deixa a gelada que o Zeca traz!

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Professor, Praia da Gamboa, Cairu, BA

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