Quinta-feira, 04 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Para tirar o SBT da crise

Por Valério Cruz Brittos e Marco Ries em 08/02/2011 na edição 628

Após muitas trocas de horários e formatos, no final de 2009 o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, ressurgiu, com seu famoso Programa do Ratinho, nas noites de segunda a sexta-feira do SBT, resgatando a fórmula que o consagrou no período de maior sucesso. A estratégia foi montada como parte do projeto para tirar o SBT da crise. Porém, embora a audiência do horário tenha aumentado, não foi capaz de devolver-lhe a vice-liderança regular.

Carlos Massa iniciou sua carreira no radiojornalismo, o que lhe viabilizou o ingresso na carreira política, tendo sido eleito vereador por Curitiba e deputado federal pelo Paraná, na sigla do PRN, atual PTC. Começou a trabalhar em televisão no programa Cadeia, da CNT, desde o início adotando o ar despojado e popular, além do cassetete, sua marca registrada. Em 1997 estreou na Record a atração Ratinho Livre, preocupando a Rede Globo e o SBT.

Com pouco tempo no ar, Ratinho Livre já havia tomado uma parcela importante da audiência da Globo e sua principal telenovela, valendo-se de linguajar popular, problemas de família, cobranças políticas e um grupo de humoristas. O quadro mais polêmico e de maior visibilidade tratava do teste de DNA, resultando em brigas e discussões. O programa consistia em um misto de humorístico, questões sociais e máscara de jornalismo.

Casos de família, sorteio de prêmios

Considerado por muitos uma retomada da fórmula do falecido e exótico apresentador Chacrinha, Ratinho logo ganhou um programa dominical na Record, batizado de Ratinho Show, aos moldes dos famosos shows de entretenimento da TV brasileira. Isso tudo levou a que, em 1998, fosse contratado pelo SBT, onde estreou o Programa do Ratinho, por R$ 1,3 milhão mensais, entre salários e merchandising, muito acima do que recebe atualmente.

Na rede de Silvio Santos, Carlos Massa maximizou suas possibilidades, contando com um elenco de humoristas e palhaços específicos. Provocou políticos e a Rede Globo, envolvendo-se em diversos casos de grande repercussão. Respondeu a inúmeros processos, chegando a receber uma crítica da importante agência internacional Associated Press, que o classificou como barulhento, bizarro e, estranhamente, rei das comunicações no Brasil.

Depois de alterações no formato do programa, devido a uma decisão judicial, dessa vez assemelhando-se a um game show, Carlos Massa colocou seu império a ruir no SBT. Nesse período comandou programas de fraca visualização, como Jornal da Massa e Você é o Jurado. Um ano e meio depois, em novembro de 2009, o Programa do Ratinho retornou à grade do SBT, nos finais de tarde. Casos de família e sorteio de prêmios constituíram-se nas propostas do produto audiovisual, ainda divergindo do formato antigo que o consagrou.

Falta inovação

Apenas posteriormente ao caso de fraude no Banco PanAmericano, em que o SBT e quase todas as empresas do Grupo Silvio Santos foram dadas como garantia de pagamento, Ratinho foi alçado à condição de carro-chefe para reerguer a rede de TV. Em novembro de 2010 começou o novo Programa do Ratinho, competindo com a novela das 21 horas da Globo, estratégia clássica. No entanto, ao contrário dos resultados obtidos no final dos anos 90, agora a audiência não deslanchou como previsto, em mais um projeto mal-sucedido.

O formato do programa vai do talk show ao game, com reportagens, curiosidades, opiniões das ruas e brincadeiras ao estilo circo, unindo o mesmo elenco de sempre a novos talentos. Aparentemente apresenta uma proposta mais moderna, reunindo vídeos da internet, notícias de celebridades e experiências de sucesso em outros programas. Ao mesmo tempo, as brigas que consagraram o programa permanecem, o qual, por mais que tente mudar, não consegue imprimir um ritmo de inovação coadunado com as demandas deste século 21.

Na verdade, Ratinho é um apresentador popular, os programas populares estão longe do esgotamento e o próprio SBT consagrou-se como uma rede voltada para conteúdos e públicos populares. Então, por que Ratinho mais uma vez não deu certo, após ter feito tanto êxito? Talvez o problema do SBT seja recorrer ao passado quando tenta reencontrar-se com o sucesso. É hora de desenhar fórmulas inovadoras, ainda que no âmbito do popular, ultrapassando o controle rígido imposto por Silvio Santos na emissora. Assim será possível um novo lugar para o SBT e para o próprio Ratinho, impondo criatividade à falta de recursos.

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Respectivamente, professor titular no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos; graduado em Publicidade e Propaganda e estudante de Jornalismo na mesma instituição

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