Domingo, 07 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

Uma parceria de 29 anos

Por Valério Cruz Brittos e Éderson Silva em 15/02/2011 na edição 629

Quando o SBT decidiu, em 1982, exibir no Brasil o grande sucesso do mercado latino Los Ricos Tambien Lloran, da Televisa, todos se admiraram. Foi uma quebra dos padrões estabelecidos, diferenciando-se do modelo de teledramaturgia da Rede Globo. Silvio Santos foi ousado em trazer um êxito mexicano que todos consideravam uma trama inferior e sem a identidade nacional presente nas novelas da Globo. Senor Abravanel bateu o pé e decidiu comprar o produto, resgatando na televisão brasileira um tipo de telenovela que estava banido desde o fim do reinado de Glória Magadan como novelista, no final dos anos 60, na Globo.


Os Ricos Também Choram foi um grande sucesso no país, baseado no texto original de Inés Rodena, sob a produção do consagrado Valentim Pinsteim e com um elenco encabeçado por grandes estrelas mexicanas, como Verônica Castro e Rogelio Guerra, que fizeram um par romântico marcante. Tanto que, anos mais tarde, o SBT exibiu com êxito o remake desta novela, chamado Maria do Bairro, protagonizada por Thalía e Fernando Colunga, batendo com a Globo e seu padrão de qualidade. Este folhetim chegou aos 23 pontos de audiência, demonstrando força como produto econômico-cultural, capaz de romper barreiras de diferentes nacionalidades, línguas, culturas e preconceitos.


O SBT investiu muito nesta prática de importar folhetins mexicanos e nas décadas 80 e 90 várias tramas foram dubladas, com edições de aberturas e títulos traduzidos para o português. Foi uma iniciativa audaciosa e exitosa, tanto que muitas destas novelas são lembradas até hoje pelo público, como Carrossel, com seus 21 pontos de audiência. Quinze Anos, Esmeralda, A Usurpadora, A Mentira, Abraça-me Muito Forte, Simplesmente Maria, Camila, Sigo te Amando, Viviana, No Limite da paixão, A Madrasta, A Fera, Topázio, Vovô e Eu, Maria Isabel, Rubi, Marimar, Maria Mercedes, Carinha de Anjo e Serafim, só para citar alguns títulos, representaram outras opções de teledramaturgia.


Hoje, ainda que inexista um contrato permanente entre SBT e Televisa, os produtos dessa emissora voltaram à grade do canal de Silvio Santos. Assim, foi veiculada As Tontas Não Vão ao Céu na programação da tarde, logo vindo outra, Camaleões, obtendo audiência positiva para as expectativas do SBT. Trata-se de uma estratégia logicamente alternativa por parte da rede de Silvio Santos, que tem dificuldade de competir com Globo e Record na produção de telenovelas, sendo suas próprias realizações descontínuas e com qualidade inferior. Mas, nessa condição, pode-se dizer que o SBT vem obtendo resultados, já que consegue ocupar um espaço no mercado interno com custos baixos e rentabilidade.


Telenovelas e dramalhão


A telenovela brasileira, hoje com identidade própria, tem uma história relacionada com o chamado dramalhão. Assim enquadra-se diretamente a autora cubana Glória Madagan, que trabalhou na Rede Globo na década de 60, onde desenvolveu estas novelas de estilo dramático, como Sheik de Agadir e Eu Compro essa Mulher, que, na década de 90, ganhou uma versão mexicana, Yo Compro esa Mujer, protagonizada por Eduardo Yáñez e Letícia Calderón, com adaptação de Liliana Abud. Nessa direção, um dos maiores sucessos da TV brasileira, O Direito de Nascer, original de Félix Caignet, também tem procedência cubana.


Igualmente é de Cuba Inés Rodena, autora de clássicos como Os Ricos Também Choram, A Usurpadora, A Fera e Maria Mercedes, Marimar, Marisol, Viviana e La Dueña. Seguindo no dramalhão, o clássico peruano Simplesmente Maria ganhou uma versão brasileira em 1970, pela extinta TV Tupi, escrita por Benedito Ruy Barbosa e tendo como protagonistas Yoná Magalhães e Carlos Alberto. Ao todo, foram feitas três remakes deste folhetim, no Peru, Brasil e México. A versão mais recente, a do México, exibida pelo SBT na década de 90, atingiu 20 pontos de audiência e consagrou Victoria Ruffo como Maria Lopes.


Outro dramalhão, a novela mexicana Soy tu Dueña, original de Inés Rodena, enorme sucesso mundial (15 países), deve ser apresentado pelo SBT no horário de A História de Ana Raio e Zé Trovão, quando esta produção original da extinta TV Manchete terminar. Soy tu Dueña foi produzida por Nicandro Díaz, mesmo responsável pelos sucessos Amanhã é para Sempre e Destilando Amor, transmitida respectivamente na CNT e no SBT, que realizou, em 2001, um remake desta novela denominado Amor e Ódio. Com isso, o SBT prossegue na mencionada estratégia de veicular programas de baixo custo com possibilidade de retorno.

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Respectivamente, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos e graduando do Curso de Comunicação Social – Jornalismo da mesma instituição

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