Quinta-feira, 04 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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VOZ DOS OUVIDORES >

Erivaldo Carvalho

19/11/2013 na edição 773

“O futebol é o ópio do povo e o narcotráfico da mídia.” (Millôr Fernandes, escritor e jornalista brasileiro)

Quem acompanha as transmissões futebolísticas pela televisão ou rádio já está acostumado ao ritual. Antes do início da partida, dá-se a ambientação, na qual locutores e repórteres agregam ao jogo que está prestes a começar informações adicionais da cidade de onde será transmitido. Dependendo do veículo e da importância do resultado, a equipe entra no ar com até duas horas de antecedência. Dias antes, chamadas e lembretes durante a programação martelam a informação sobre o local do confronto. Depois, a repercussão se mantém, nas análises da rodada. Para uma cidade turística, é o que de melhor pode acontecer: mídia espontânea, abundante e de qualidade. Se o estádio do time mandante de campo for um equipamento público que custou muito dinheiro, o interesse pelo uso do mesmo cresce exponencialmente. Isso inclui tanto os promoventes do esporte quanto os administradores do empreendimento. No pacote entram até os veículos de comunicação, que trabalharão em um espaço de qualidade e conforto, sem deslocamentos nem custos extras.

Foi mais ou menos com esse panorama que este ombudsman foi abordado por leitores há poucos dias. O interlocutor costurou a tese de que está em curso uma vigorosa torcida (ele usou a palavra “lobby”) para que o Ceará Sporting Club entre na Série A do Campeonato Brasileiro de 2014. Assim, o alvinegro jogaria no Castelão, na turística Fortaleza, onde estão sediados os principais veículos de imprensa do Estado. Seria um plus nos benefícios já garantidos pela Copa das Confederações e prometidos para a Copa do Mundo.

Diferença, comemoração e silêncio

Não vejo nada do outro mundo no que se poderia chamar de campanha pelo Vovô na elite do futebol brasileiro no ano que vem. Nem gosto, nesse caso, do termo “lobby” – atividade mal compreendida no Brasil e, geralmente, associada a ilegalidades. Se houver méritos, que a equipe do Porangabuçu se mantenha no G-4 e faça bonito junto aos grandes clubes do País. O acesso até renderia consistentes reportagens nessa linha. O que não dá para compreender é que a força em prol do time do Ceará desmereça ou reduza a importância de um outro time do Estado, o surpreendente Icasa, melhor na tabela do que o alvinegro. A cobertura dos dois times deveria considerar muito mais do que as diferenças entre o Castelão e o Romeirão ou Fortaleza e Juazeiro do Norte. Tem sido frequente a abordagem do assunto pelo ombudsman junto à Redação do O POVO nos relatórios internos de avaliação das edições. Houve avanços pontuais e debates produtivos.

Até entendo os gritos de comemoração de alguns torcedores do Ceará quando o Paysandu empatou a partida, provisoriamente, no jogo da última sexta-feira, num local público onde assisti ao confronto com o Icasa. Faz parte. Mas nós, da imprensa, não podemos continuar fazendo jornalismo da arquibancada. Em tempo: os mesmos torcedores silenciaram, pagaram a conta e foram embora quando o time caririense ganhou por 2 a 1 e terminou a noite em 3º lugar na tabela.

As lições que ficam

Corria o ano de 2005 quando vieram a público as primeiras denúncias mais tarde batizadas de mensalão. Neste 15 de novembro republicano, deram-se as primeiras prisões – para alguns, uma sórdida coincidência. De lá para cá, oito anos depois, uma geração inteira de jornalistas e de advogados foram formados no País. Milhares de estudantes e jovens profissionais das duas áreas tiveram a oportunidade de acompanhar, de camarote, em tempo real, um dos mais emblemáticos e polêmicos enredos do Brasil nas últimas décadas. Por todo o entorno que o caso envolve, melhor aula de imprensa e de direito não haveria. Pelo menos dois dos condenados se dizem “presos políticos”. Mais importante do que saber quem os prendeu, se a Justiça, a política ou a “grande mídia conservadores deste País”, é procurar saber – e a pergunta serve para todos: o que aprendemos com o episódio?

FOMOS BEM

NATAL. O espírito da cobertura começa a chegar em pautas leves e bem produzidas

FOMOS MAL

BAIRROS MAIS VIOLENTOS.

O ranking espacial não mostrou os motivos da criminalidade

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