Domingo, 31 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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VOZ DOS OUVIDORES >

Ombudsman faz balanço da cobertura ambiental

26/11/2013 na edição 774

O New York Times sofreu sérias críticas de leitores no começo deste ano por conta de sua cobertura ambiental, em especial sobre questões de mudanças climáticas, observou em sua coluna [24/11/13] a ombudsman Margaret Sullivan. Em janeiro, o jornal desfez sua equipe de repórteres e editores destinados ao tema e, em março, encerrou o blog Green, sobre notícias ambientais.

Editores enfatizaram que não estavam abandonando o assunto, apenas integrando-o a outras áreas do jornal. As mudanças foram feitas para reduzir custos e por razões estratégicas – o blog, por exemplo, não tinha uma grande audiência. Leitores e críticos não gostaram dos argumentos e não acreditaram que menos jornalistas e menos espaço poderiam significar uma cobertura maior e melhor.

Para avaliar como anda a situação desde então, Margaret conversou com antigos leitores da editoria ambiental, entre eles o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore, conhecido ativista ambiental e roteirista do documentário Uma Verdade Inconveniente, sobre o aquecimento global. Com seu assistente, Jonah Bromwich, ela chegou às seguintes conclusões:

** A quantidade de cobertura sobre mudança climática caiu. Maxwell T. Boykoff, da Universidade do Colorado, que rastreia a cobertura sobre meio ambiente, disse que, de abril a setembro do ano passado, a edição impressa do jornal publicou 362 artigos, com o assunto “mudança climática” ganhando destaque. Nos primeiros seis meses deste ano, o número de artigos caiu para 242. “É complicado. Tendemos a pensar que mais cobertura é melhor, o que nem sempre é verdade”, alerta. A quantidade de cobertura também corresponde a eventos ou controvérsias. De maneira geral, a cobertura sobre mudanças climáticas caiu na mídia americana depois de picos em 2007 e 2009.

** A quantidade de cobertura mais aprofundada sobre mudança climática também caiu. No primeiro semestre de 2013, apenas três matérias sobre o tema foram publicadas na capa, em comparação a nove no mesmo período no ano anterior. Todas as três foram assinadas pelo repórter de ciência Justin Gillis. Com menos repórteres e sem editor, faltou uma variedade de perspectivas.

** A última série de reportagens sobre meio ambiente foi publicada em janeiro. Desde que a série sobre elevação de temperatura, escrita por Gillis, terminou em janeiro, nenhuma outra foi escrita sobre questões ambientais. Além de oferecer um olhar mais aprofundado, as séries acabam influenciando a cobertura sobre o tema, pelo fato de o NYTimes ser um agenda-setter, diz a ombudsman.

** O blog Green não foi substituído. Nem a quantia aproximada de US$ 40 mil anuais destinada a freelancers que contribuíam com o blog.

Ainda assim, há quem elogie a cobertura ambiental do NYTimes. Al Gore é uma destas pessoas. “A sobrevivência da civilização humana está em risco. A mídia deveria fazer desta crise existencial o tema número um de sua cobertura”, opina o ex-vice-presidente. Mas há algumas preocupações pelo fato de não haver um editor no jornal destinado ao tema. Por isso, recentemente o diário indicou a editora da ciências, Mary Ann Giordano, para – além de cumprir suas tarefas – coordenar a cobertura ambiental. Ela informou a Margaret que está preparando uma série. “Há muitos tentáculos no assunto e muitos temas que precisamos aprofundar. Alguém precisa monitorar isso”, disse.

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