Sexta-feira, 10 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
Menu

ENTRE ASPAS >

Anúncio na Folha de S. Paulo ‘elimina’ Brasil da Copa

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 29/06/2010 na edição 596


Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


 


************


O Estado de S. Paulo


(www.estadao.com.br)


Terça-feira, 29 de junho de 2010


 


GAFE


Sílvio Guedes Crespo


Abílio Diniz pede desculpa por anúncio que ‘tira’ Brasil da Copa


‘O empresário Abílio Diniz, do Grupo Pão de Açúcar, pediu desculpas pelo anúncio publicado no jornal ‘Folha de S.Paulo’ nesta terça-feira, 29, que colocava a seleção brasileira como eliminada da Copa do Mundo.


‘Como Presidente do Conselho de Administração do Grupo Pão de Açúcar peço desculpas, em meu nome do Grupo, aos brasileiros e, principalmente, aos jogadores da seleção’, afirmou Diniz por volta das 15h no Twitter (@abilio_diniz).


Ele pede punição aos responsáveis: ‘Não compartilhamos com a impunidade e tomaremos providências, que não eliminarão o erro, mas irão responsabilizar os culpados’.


Minutos antes, ele havia escrito: ‘Ontem o Brasil fez seu melhor jogo na Copa. Infelizmente, a ‘Folha de S.Paulo’ cometeu um grave erro com o anúncio do Extra, o que é inadmissível’.


Nesta terça-feira, saiu na ‘Folha de S.Paulo’, no suplemento ‘Copa 2010’, um anúncio dos supermercados Extra afirmando que a seleção brasileira foi eliminada do campeonato.


O anúncio diz: ‘A I qembu le sizwe sai do Mundial. Não do coração da gente’. Mais para baixo, a mesma peça publicitária explica que ‘I qembu le sizwe’ é um termo em zulu que significa ‘seleção’.


Nesta tarde, a rede Extra divulgou o anúncio correto, que afirma: ‘Que venha a próxima. Wafa wafa, Brasil!’, e explica que ‘wafa wafa’ significa ‘vai que dá’.


No mesmo caderno, outro anúncio, na página D32, chama o leitor para acompanhar pela rádio Transamérica o jogo entre Brasil e Chile – que foi realizado ontem.


‘Estou ao lado dos que se indignaram com o anuncio publicado erroneamente pelo jornal’, disse Diniz, também pelo Twitter. A rede Extra disse, em nota à imprensa, que ‘que a ‘Folha de S.Paulo’ errou na seleção do material para publicação e irá se retratar publicamente com a correção do material’.


Em nota na Folha.com, o jornal assumiu o erro e disse que publicará uma errata na edição de quarta-feira.’


 


 


ELEIÇÃO


Malu Delgado


No ‘Roda Viva’, Dilma nega ser ‘um poste’


‘A interferência de Luiz Inácio Lula da Silva num eventual governo de Dilma Rousseff se limitará ao aconselhamento de um ex-presidente, afirmou, categórica, a candidata do PT à Presidência, ontem, no programa Roda Viva, da TV Cultura.


Sem o figurino vermelho que ostentou na convenção petista que a lançou oficialmente há poucas semanas, a candidata, vestida de azul, disse que o apadrinhamento de Lula à sua candidatura não a transforma ‘num poste’. Se eleita, ela disse que espera a ajuda de Lula ‘para aprovar reformas importantes’ – tendo destacado desonerações tributárias e a reforma política.


‘Vou querer que ele (Lula) apresente seus conselhos. Agora, tenho clareza que ele participará como ex-presidente’, disse.


Bastante enfática e tranquila ao negar que seu nome surgiu na política à sombra de Lula, ela citou que o presidente não tinha, no início do governo, a popularidade que atingiu hoje e se incluiu como ator político responsável pelos êxitos da gestão do petista. ‘O projeto que eu defendo’, disse, ‘hoje sou eu que represento’.


PSDB. Ao contrário da candidata do PV, Marina Silva, que reiteradas vezes defendeu a necessidade de governar ‘com os melhores do PT e os melhores do PSDB’, Dilma foi refratária ao ser questionada sobre a possibilidade de entendimentos políticos com os tucanos e refutou ter alguma semelhança política com José Serra e o projeto do PSDB.


Vice. Descontraída, Dilma deu risadas ao ver a charge feita pelo cartunista Paulo Caruso, durante a entrevista, em que ela foi desenhada comentando que ‘eles não tinham nem vice’ – e até interrompeu um raciocínio.


Admitiu, mais uma vez, não ter experiência política, mas listou suas experiências administrativas. ‘Não tenho experiência eleitoral. Fico pensando às vezes se isso não é uma vantagem num quadro onde há tanto desgaste da atuação política.’


A candidata disse que se compromete com uma reforma tributária para desoneração de investimentos e dos encargos da folha de pagamento das empresas, mas não defendeu o imposto sobre grandes fortunas, bandeira do PT. ‘Para ser aprovado no Brasil, demandaria imensa energia política’, comentou.


Questionada se a reforma promoveria queda da carga tributária, foi evasiva, dizendo que é contra aumento de alíquotas e que a arrecadação pode subir com aumento do consumo e da produção. Sobre a CPMF, não defendeu a volta do imposto. Afirmou que não se pode modificar o passado.


Dossiê. A petista repetiu que não partiu da campanha a articulação para produção de suposto dossiê contra políticos do PSDB. Afirmou que o comitê não pode ser responsabilizado pelas ações do jornalista Luiz Lanzetta, que se envolveu no episódio e se afastou em seguida do núcleo eleitoral do PT.


Sobre o debate do controle social dos meios de comunicação, defendido pelo PT, a candidata disse ser favorável à liberdade de imprensa.


Depois de sair do Roda Viva, Dilma foi participar de um jantar com artistas, acompanhada pelo ministro da Cultura, Juca Ferreira. A assessoria da candidata não informou o local.


Diferenças e desonerações


DILMA ROUSSEFF


CANDIDATA DO PT À PRESIDÊNCIA


‘Entendo que muitos queiram dizer que sou um poste, mas isso não me transforma num poste.’


‘Em eleição, a gente deixa claro as nossas diferenças.’


‘Acredito na desoneração de investimentos e da folha de salários. E acredito em modernização do ICMS.’


‘Se há dossiê, porque até hoje eu não vi papel nenhum, ele não foi feito pela minha campanha.’’


 


 


INTERNET


Google cede à China


‘O Google anunciou que planeja suspender o redirecionamento automático dos usuários do seu site chinês (Google.cn) para a página da companhia em Hong Kong Google.com.hk), em um esforço para garantir a renovação da licença para operar na China.


David Drummond, vice-presidente jurídico do Google, informou no blog do Google que a empresa já havia começado a direcionar pequeno volume de usuários a uma página de aterrissagem no Google.cn, que conduz ao Google.com.hk, e que em breve suspenderia todo o redirecionamento.


O Google fechou seu portal na China em março por preocupações com a censura no país, e passou a direcionar os usuários ao site de Hong Kong. Entretanto, a licença operacional que permite o uso do antigo endereço para redirecionar usuários expira na quarta-feira, 30.


‘Ficou claro nas conversas que tivemos com funcionários do governo chinês que eles consideram o redirecionamento inaceitável, e que se continuarmos a redirecionar os usuários nossa licença como provedor de conteúdo de internet não será renovada,’ escreveu Drummond na madrugada de segunda-feira, 28.


‘Sem licença como provedor de conteúdo, não podemos operar um site comercial como o Google.cn, o que significa que o Google ficaria literalmente excluído da China,’ acrescentou.


A nova página do Google é bastante simples, com uma imagem do logotipo da empresa e uma caixa de buscas desativada. Abaixo, uma mensagem informa que ‘já nos transferimos para google.com.hk’ e ‘por favor salve nosso endereço em seus favoritos.’


O Google anunciou em janeiro que poderia abandonar a China devido à censura, após ter sofrido um sofisticado ataque de hackers originado no país asiático.


A empresa manteve a promessa de pôr fim à autocensura requerida por Pequim como condição para que continuasse a operar na China –o que levou ao redirecionamento para Hong Kong–, mas está trabalhando com o objetivo de manter alguma presença na China.’


 


 


US$ 120 mi por 1,5% do Facebook


‘A empresa de investimentos Elevation Partners comprou 120 milhões de dólares em ações do Facebook de acionistas privados, o que dá um valor de 23 bilhões de dólares para toda a companhia, afirmou uma fonte próxima do assunto.


A compra de ações representa a segunda rodada de investimentos no Facebook da Elevation por meio do mercado secundário, dando à empresa uma participação de 1,5% no maior site de relacionamento do mundo.


Com quase 500 milhões de usuários, o Facebook é classificado como um dos sites mais populares da Web, ao lado de gigantes da internet como o Google e Yahoo, com o mercado seguindo de perto seus passos na espera de uma oferta pública inicial de ações (IPO).


O Facebook gerou entre 700 milhões e 800 milhões de dólares em receitas em 2009, segundo afirmaram à Reuters duas fontes próximas do assunto no início deste mês.


Em abril, o Facebook proibiu seus empregados de venderem ações da empresa a investidores externos, exceto durante os períodos especificados. O Facebook não está atualmente em um período durante o qual os funcionários estão autorizados a venderem ações, disse uma outra fonte à Reuters.


A Elevation Partners, que tem entre seus sócios o vocalista do U2 Bono Vox, e o Facebook preferiram não comentar a notícia.


Entre as empresas com fatia no Facebook incluem-se a Digital Sky Technologies, Microsoft, o magnata de Hong Kong Li Ka-shing e as empresas de capital de risco Accel Partners, Greylock Partners e Meritech Capital Partners.’


 


 


Apple na mira da Alemanha


‘A Apple deve ‘deixar imediatamente claro’ quais dados coleta dos usuários de seus produtos e com qual propósito, afirmou a ministra da Justiça da Alemanha, em entrevista publicada nesse fim de semana pela revista Der Spiegel.


‘Os usuários de iPhones e outros dispositivos de GPS devem estar cientes de que tipo de informações sobre eles estão sendo coletadas’, disse Sabine Leutheusser-Schnarrenberger ao semanário alemão.


Segundo a Der Spiegel, a crítica da ministra é voltada para as mudanças que a Apple fez na sua política de privacidade, por meio da qual a empresa pode coletar dados sobre a localização geográfica dos usuários de seus produtos de forma anônima.


Leutheusser-Schnarrenberger disse esperar que a Apple ‘abra seus bancos de dados para as autoridades alemãs de proteção de dados’ e esclareça quais são as informações que está recolhendo e por quanto tempo a empresa está mantendo os dados.


Um porta-voz da Apple disse que não poder comentar o assunto.


A Alemanha tem uma das legislações de defesa da privacidade mais exigentes do mundo, como resultado da experiência do país com os sistemas estatais de vigilância que foram postos em prática pelos nazistas e pela polícia secreta da Alemanha Oriental, a Stasi.


A ministra alemã de Defesa do Consumidor ganhou as manchetes no início deste mês, quando disse que iria sair do Facebook devido ao que chamou de violações das leis de privacidade.


Enquanto isso, após uma auditoria solicitada pela Alemanha em maio, o Google reconheceu que tinha recolhido equivocadamente durante anos dados pessoais transmitidos por usuários de redes sem fio.


A ministra da Justiça disse que seria ‘impensável’ para a Apple criar perfis dos usuários com base em suas personalidades e localização.


‘A Apple tem a obrigação de aplicar corretamente a transparência tantas vezes prometida pelo presidente-executivo Steve Jobs’, disse ela.’


 


 


Outra rede social do Google?


‘O criador do Digg, Kevin Rose, atiçou os rumores com um tweet durante o fim de semana dizendo que o Google estaria para lançar ‘muito em breve’ um ‘concorrente do Facebook’ que se chamaria Google Me. A mensagem, capturada por sites de tecnologia, porém, foi apagada.


Apesar de o Google já ter o Orkut como um concorrente do Facebook ao menos no Brasil, Kevin Rose afirma que a informação vem de ‘uma fonte muito confiável’. Além do Orkut, o Google também tem outro serviço parecido com uma rede social, o Google Profiles.


A revista Fast Company lembra que o criador do Digg é famoso por lançar rumores, principalmente sobre produtos da Apple, muitos certos e muitos errados.


Caso o Google Me — ou algo parecido — se confirme, não será a primeira vez que o Google tenta criar um serviço copiado de algum outro na internet. Quando o YouTube foi lançado, o Google logo se apressou para criar o Google Video. Meses depois de não conseguir tomar o lugar do site criado por Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim, o Google comprou o promissor site de vídeos. Na mesma época, quando a Linden Lab convencia o mundo de que realidades alternativas em 3D eram o futuro da internet, o Google criou uma cópia do Second Life, o Lively — que durou 6 meses. E em fevereiro deste ano, o Google lançou um concorrente do Twitter, o Buzz, que também não serviu para tomar o lugar do líder das mensagens em 140 caracteres.’


 


 


ECONOMIA


Sílvio Guedes Crespo


Financial Times publica 4º caderno sobre o Brasil em 1 ano


‘O jornal britânico Financial Times publica na terça-feira, 29, caderno especial sobre o Brasil, o quarto nos últimos 12 meses. Intitulado ‘O novo Brasil’, o suplemento defende que o Brasil amadureceu nos campos econômico, político e social, deixando de ser um ‘garoto raquítico’ – mas acrescenta que o País ainda tem desafios a enfrentar. Os textos já estão no site do jornal.


‘Se alguma figura personifica o novo Brasil, é certamente Luiz Inácio Lula da Silva, presidente desde 1º de janeiro de 2003’, afirma uma das reportagens do caderno. O texto compara a infância pobre de Lula no Nordeste, sua passagem pela indústria paulista e sua ascendência para a presidência com a trajetória do Brasil.


Para o jornal, a vida de Lula ‘espelha o progresso extraordinário ao longo dos últimos 15 anos’.


O caderno traz um artigo de Lula, em que o chefe de governo fala pela primeira vez que tem planos de atuação internacional após o mandato.


Há também um artigo do colunista Martin Wolf sobre o País, argumentando que o País precisa superar suas ‘enormes desvantagens estruturais’, como o baixo nível de poupança e a pequena abertura comercial (o comércio internacional representa só 28% do Produto Interno Bruto brasileiro, contra 51% na Índia e 65% na China).


O suplemento traz reportagens aprofundadas sobre combustíveis, agricultura, macroeconomia, infraestrutura, meio ambiente e indústria automobilística.


Antes deste, o jornal publicou nos últimos 12 meses três cadernos sobre o Brasil, abordando infraestrutura, investimentos e o País em geral.’


 


 


COPA


Jornalista é preso por ajudar invasor de vestiário


‘O comissário nacional da polícia da África do Sul disse nesta terça-feira que um jornalista de um tabloide britânico foi preso depois da descoberta de que o incidente no qual um torcedor da Inglaterra no vestiário da equipe foi ‘orquestrado’ numa tentativa de mostrar falhas na segurança da Copa do Mundo.


Bheki Cele revelou que a polícia prendeu Simon Wright na segunda-feira. Ele disse que o jornalista do Sunday Mirror admitiu ter dado guarida e entrevistado Pavlos Joseph enquanto a polícia estava procurando o invasor. O comissário revelou também que Wright havia feito uma reserva em um hotel para Joseph usando dados falsos.


Wright também tinha um contrato com Joseph pata entrevistas exclusivas por sete dias depois da invasão, de acordo com Cele. ‘A polícia têm razão para acreditar que este incidente foi orquestrado e envolveu a colaboração de uma série de pessoas’, afirmou.


Ele acrescentou que a polícia deverá fazer mais detenções no caso. ‘A polícia acredita fortemente que o motivo foi o de colocar a segurança da Copa do Mundo de uma forma negativa e, possivelmente, para lucrar com este ato’, afirmou Cele, sobre o incidente no dia 18 de junho, quando Joseph entrou no vestiário inglês depois do empate por 0 a 0 com a Argélia, em partida realizada no Estádio Green Point, na Cidade do Cabo.


Joseph deu uma entrevista exclusiva ao jornal Sunday Mirror depois, alegando que ele foi direcionado para o vestiário quando perguntou a um segurança onde poderia encontrar um banheiro. O torcedor chegou a ser detido, mas foi liberado após o pagamento de fiança e ficou proibido de ir ao estádio nos outros jogos da Inglaterra na Copa do Mundo.’


 


 


 


************


Folha de S. Paulo


Terça-feira, 29 de junho de 2010


 


ELEIÇÃO


Melchiades Filho


Próximos passos


‘O saldo das pesquisas de junho foi cruel para José Serra, que neste mês teve a sua vez na propaganda eleitoral na TV. E animador para Dilma Rousseff, que se afastou um pouco do noticiário político, em giro de cocota pela Europa. Ele perdeu quando apareceu. Ela ganhou quando desapareceu.


Esse resultado não era aguardado em nenhum dos dois comitês e terá impacto nas campanhas.


A estratégia do PT será aproveitar a onda, o apoio publicitário da máquina federal e o agito da militância para tentar dar um aspecto de fatura liquidada à eleição -e daí fazê-lo no primeiro turno.


Teremos mais algumas semanas, portanto, de ‘Dilma Sorriso’, a candidata que só vai na boa e posa para fotógrafos e cinegrafistas, grudada em Lula e decidida a evitar o confronto com o oponente e a fugir de eventos em que perguntas incômodas puderem surgir. (Não à toa, marcou debates só para agosto.)


Não será estranho, também, se o Planalto se empenhar nos próximos dias em retirar de circulação alguns dos nove candidatos nanicos -se juntos repetirem a fatia de votos de 2006 (5%), eles provavelmente forçarão o segundo turno.


Serra, por sua vez, viu que terá de recalibrar o discurso se quiser subir do patamar de 35%.


O oposicionismo discreto da largada da campanha não teve efeito mobilizador. E talvez tenha sido desmobilizador o efeito das críticas recentes à adversária -estas, pelo visto, só acentuaram que é ela, e não ele, a ‘continuação’ de Lula.


Talvez partam agora do tucano questionamentos mais pontuais e agudos ao PT -e ao PT no governo. Ou, finalmente, propostas de conteúdo novo ou apelo novidadeiro.


Se nada der certo, restará ao PSDB apenas o apelo emocional por um segundo turno -a chance, afinal, de comparar discursos, projetos, currículos etc. Ou torcer (e trabalhar) para que Marina ‘A Outra’ Silva roube votos do PT.’


 


 


Ranier Bragon e Flávia Foreque


Dilma terá 40% do tempo de TV, contra 29,5% de Serra


‘A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, terá 40% do total do tempo de TV destinado à propaganda eleitoral dos postulantes ao Palácio do Planalto, que começa em 17 de agosto.


A fatia é 35% superior à que terá o tucano José Serra e representa fato inédito na história do PT -em nenhuma das cinco eleições presidenciais desde a redemocratização o partido ocupou o maior espaço na TV.


O predomínio se dá porque o PT e os partidos coligados a ele -com destaque para o PMDB- elegeram um maior número de deputados federais, principal critério estabelecido na lei para a definição do tempo de TV.


A situação da petista pode melhorar caso o DEM rompa com Serra e não confirme a aliança com os tucanos na convenção de amanhã, hipótese menos provável.


Se isso acontecer, Serra perde um terço do seu espaço previsto, que seria redistribuído a todos os candidatos. Dona da aliança mais robusta, Dilma herdaria 64% desse ‘espólio’ e, assim, ficaria com o dobro do tempo de TV.


Mantida a aliança PSDB-DEM, entretanto, a petista terá praticamente 10 minutos de cada bloco de 25 minutos -serão exibidos duas vezes ao dia, às terças, quintas e sábados, de 17 de agosto a até três dias antes das eleições.


Serra terá 7min23s (29,5% do total) e Marina Silva (PV) apenas 1min10s (5%).


Além dos blocos, a propaganda se dará também por meio de peças diárias de até um minuto, nos intervalos, as inserções partidárias.


A distribuição segue a lógica dos blocos. Dilma terá em torno de cinco inserções de 30 segundos por dia. Serra terá 3,5 peças; Marina, uma a cada dois dias.


Os dados foram calculados com base na Lei Eleitoral, nas coligações e nas candidaturas já anunciadas.


‘O espaço será importante para fazermos a disputa de projetos’, disse Rui Falcão, da campanha de Dilma.


‘É claro que o bom seria um tempo maior de TV, mas isso não quer dizer que não teremos tempo para falar do nosso trabalho’, afirma a senadora Marisa Serrano (MS), vice-presidente do PSDB.


Marina diz que usará linguagem publicitária. ‘As outras candidaturas não vão fugir muito do [roteiro] candidato, povo fala, clipe e jingle. No nosso caso, vamos ter que usar outros recursos’, afirma o publicitário Paulo de Tarso.’


 


 


TELEVISÃO


Laura Mattos


NET levará interatividade da TV aberta a assinantes


‘Um grande polêmica nesses tempos de revolução tecnológica acaba de ganhar um capítulo decisivo. A NET decidiu levar a interatividade das TVs abertas a seu assinante, conforme informação dada ontem à Folha.


A Globo, que investe cada vez mais na produção de conteúdo interativo, já pressionava as operadoras nos bastidores para não perder a audiência dos assinantes.


Atualmente, existe uma incompatibilidade tecnológica entre TV aberta e paga, e o conteúdo interativo dos canais abertos não está acessível a quem tem a fechada.


Após ser questionada pela Folha, a NET enviou a seguinte resposta: ‘Quando o conteúdo interativo da TV aberta estiver disponível, a Net vai traduzir a linguagem de programação (Ginga) para o padrão da TV fechada (Open TV). O assinante da TV paga terá acesso aos conteúdos normalmente’.


Antes dessa informação, declaração do diretor de engenharia da Globo Raymundo Barros dava ideia da preocupação da Globo com a TV paga, que cresce no país:


‘A não adoção do padrão aberto sem dúvida prejudicará assinantes de TV paga.’


PERUA TRAÍDA


Goretti (Regiane Alves) descobre hoje, em ‘Tempos Modernos’, que seu marido tem quatro filhos com outra e recebe apoio do pai, Leal (Antonio Fagundes)


Chumbo grosso A Abert, associação das TVs, reforça artilharia para a grande batalha deste ano, contra portais de internet que produzem conteúdo jornalístico, em vídeo inclusive, e possuem mais de 30% de capital estrangeiro em sua formação societária.


Ringue As TVs querem que os portais tenham o mesmo limite a elas imposto por lei, de não ultrapassar os 30% de capital estrangeiro. O próximo round está marcado para o dia 7: audiência pública com a presença dos ministros da Comunicação e da Justiça, além do advogado-geral da União.


Peso pesado Duas grandes estrelas reforçam os times: de um lado a Globo, do outro, o portal Terra, da Telefônica, que tem uma forte TV online.


Fumaça 1 A entrevista com a família do bebê de dois anos que fuma cigarro, na Indonésia, ajudou o ‘Domingo Espetacular’ a obter o melhor desempenho no Ibope desde que mudou para as 20h, em maio.


Fumaça 2 O programa da Record marcou 15 de média, contra 9 do SBT, 7 da Rede TV! e 23 da Globo (cada ponto no Ibope equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo).


Coração Personagem de Antonio Fagundes, Leal sofrerá um infarto em ‘Tempos Modernos’. Isso aproximará Nelinha (Fernanda Vasconcellos) e Zeca (Thiago Rodrigues). Após chegar a suados 30 pontos de média nessa reta final, a novela da Globo voltou a cair: 26 na sexta e 22 no sábado.’


 


 


Gustavo Villas Boas


Série feita para a internet usa a Guerra Fria em trama surreal


‘Caiu do céu a história daquela que se promove como a primeira série feita para ser distribuída em redes P2P (de compartilhamento entre usuários) na internet.


Na ficção científica ‘Pionner One’, uma cápsula espacial cai nos EUA. O Pentágono acredita que aquele objeto é uma relíquia soviética da época da Guerra Fria.


Pior: há uma criança dentro dele. Um bilhete diz que ela nasceu em uma ocupação secreta russa em Marte. Parece ser verdade.


Para levar esta série independente ao ar, os criadores Josh Bernhard e Bracey Smith montaram um sistema de doação na internet. Este capítulo, dizem, custou US$ 6 mil. ‘Conseguimos quase 500 mil downloads em uma semana, e pessoas do mundo inteiro seguem doando’, disse Bernhard, 25, à Folha.


A meta é arrecadar US$ 20 mil para gravar os próximos passos -no domingo, o objetivo estava a US$ 200 de ser atingido. ‘Não quero ficar rico, mas apenas pagar meu aluguel e comer de vez em quando’, brincou Bernhard.


O capítulo inicial tem bom acabamento, atores seguros (como James Rich, o protagonista) e diálogos amarrados.


A história foi elogiada em sites dedicados à ficção científica. O programa e as legendas em português podem ser baixados legalmente no site vodo.net/pioneerone.’


 


 


COPA


Marcos Augusto Gonçalves


Galvão cantou o gol e depois disse que Fabuloso driblou o juiz


‘José Trajano, na ESPN Brasil, começou na dúvida. ‘Será que é um meio de campo confiável? O Elano fez falta e o Felipe Melo se mostrou pelo menos forte no passe.’ Já o Galvão Bueno, aos 5min, decretava: ‘É outro time’.


E depois de vários escanteios, nosso inenarrável narrador cantou o gol: ‘Numa dessas sai’. E saiu, com Juan. Aí se empolgou e, no segundo, disse que o Fabuloso ‘driblou o juiz’.


Ok, ninguém é perfeito.


#falagalvão!


Enquanto isso, Neto, o comentarista do ‘Sítio do Pica-pau Amarelo’, gastou seus erres caipiras para dizer que Ramires tinha que jogar no lugar de Felipe Melo ou de outro qualquer.


No final, o Daniel jogou mal, como Trajano temia. Mas como reforçou o Rizek, do Sportv, ia ser difícil tirar o Ramires do time. O segundo cartão tirou -e resolveu o problema para Dunga.’


 


 


FRANÇA


Empresários devem fechar compra do jornal ‘Le Monde’


‘O jornal francês ‘Le Monde’ deve ser vendido a três empresários franceses, depois que um consórcio que incluía a operadora de telefonia France Télécom desistiu do investimento no diário.


O conselho do jornal aceitou ontem discutir a proposta deles para comprar o jornal, pagando cerca de € 110 milhões, com exclusividade por três meses.


A proposta aceita é dos empresários Xavier Niel, bilionário francês que fez fortuna na internet, Matthieu Pigasse, empresário e diretor do banco francês Lazard, e Pierre Bergé, ex-parceiro comercial do estilista Yves Saint-Laurent.


Os três emprestarão € 10 milhões até 5 de julho ao jornal para que este possa pagar despesas correntes.


A oferta deles tem o apoio dos funcionários do ‘Monde’, que têm poder de supervisionar decisões estratégicas do jornal.


Sem esse apoio, a outra oferta, feita pela operadora de telefonia francesa France Télécom, pela revista ‘Nouvel Observateur’ e pelo grupo espanhol Prisa, dono do jornal ‘El País’, foi retirada ontem antes da reunião do conselho do ‘Monde’.


O diário busca um investidor porque está endividado. Sem o aporte, poderia entrar em concordata até o final deste mês.


Os funcionários disseram que optaram pela oferta dos empresários por a considerarem ‘a mais coerente’.


O consórcio se comprometeu a permitir que os jornalistas tenham direito minoritário de veto no conselho, o que garantiria independência editorial do ‘Monde’.


Hoje, o jornal é controlado por pequenos acionistas, na maioria funcionários. A polêmica sobre o ‘Monde’ envolveu até o presidente francês, Nicolas Sarkozy.


Ele se posicionou a favor da oferta da France Télécom, que é controlada pelo Estado, e foi acusado de querer influenciar a mídia.


‘EL PAÍS’


O grupo espanhol Prisa, do ‘El País’, também deve mudar de mãos. O grupo norte-americano Liberty Acquisition concordou em comprar metade das ações da empresa por € 900 milhões.


O acordo ainda está sendo revisado, mas deve ser concluído, segundo o presidente do conselho da Liberty, Martin Franklin. A família Polanco, que tem 70% da Prisa, deve ficar com menos de 30% depois do negócio.


Depois do acordo, a Prisa deve refinanciar parte de sua dívida e vender € 1,3 bilhão em ativos, passando a dever cerca de € 3 bilhões.’


 


 


INTERNET


Google pode lançar nova rede social


‘Um dos fundadores do Digg (agregador de conteúdo), Kevin Rose, afirmou no Twitter que a empresa dona do YouTube deve lançar ‘muito proximamente’ um rival para o Facebook. O Google não comentou o assunto. Ele já tem o Orkut, que é forte em poucos países, como Brasil e Índia.’


 


 


Andrea Murta


Especialista vê ‘polícia secreta’ na internet


‘Enquanto os membros do Facebook discutem as minúcias dos controles de privacidade de seus perfis, provedores de serviços on-line seguem silenciosamente construindo dossiês sobre as ações de seus usuários. Para Eben Moglen, professor de Direito na Universidade Columbia (Nova York) e diretor do Centro Legal para Software Livre, a tendência construiu uma ‘polícia secreta do século 21’, que ‘tem mais dados do que agências de espionagem de regimes totalitários do passado’. Moglen diz que é possível até prever quem terá um caso com quem só com base em dados do Facebook.


Folha – Somos nós que estamos nos expondo demais? Eben Moglen – Não creio. É perfeitamente razoável pensar que o capitalismo do século 21 se baseie na descoberta de uma nova matéria-prima -a informação sobre nossas vidas privadas.


O objetivo de sites como o Google é a reorganização da publicidade para favorecer o consumo em estilo americano. Se você sabe o que as pessoas buscam, pode definir sua publicidade por isso.


E ferramentas como redes sociais sabem tudo sobre o consumidor.


As redes sociais espionam deliberadamente?


Sim, esse é seu negócio. A forma que encontraram de ganhar acesso à vida privada é oferecer páginas gratuitas e alguns aplicativos.


É uma péssima troca para o usuário -degenera a integridade da pessoa humana. É como viver num regime totalitário.


O Facebook diz que as pessoas querem compartilhar suas vidas e eles só facilitam.


Sim, é um ótimo argumento. É por isso que a ‘polícia secreta do século 21’ não tortura nem executa, e sim oferece ‘doces’. Nos ensinam a gostar disso.


Quando eu digo que o Facebook é capaz de prever com quem você terá um caso, não é modo de falar.


Em termos técnicos, o Facebook é simplesmente um grande banco de dados. Se dissermos a esse banco de dados: ‘me dê o log [dado arquivado] de todas as pessoas que checaram algum outro perfil mais de cem vezes hoje’, teremos uma lista de pessoas obcecadas.


Mas o site está longe de ser o único -há milhares de bancos de dados na internet.


Mas o Facebook é abertamente sobre exposição…


Toda a internet é sobre exposição. A diferença entre o que você pensa que está publicando e o que está de fato tornando público é na prática muito grande.


Praticamente todos os movimentos na rede estão arquivados em algum servidor externo, fora do controle do usuário.’


 


 


PUBLICIDADE


Mariana Barbosa


Publicidade busca novo modelo para a era digital


‘Depois que a era digital deu poderes para as pessoas escolherem como e quando vão consumir programas de entretenimento e notícias, de preferência sem intervalos comerciais, as empresas estão em busca de novas formas para ‘encantar’ o consumidor -como se diz no novo jargão publicitário.


‘O contexto da mídia de massa é de interrupção. O comercial interrompe o programa de TV, a leitura no jornal’, diz Barry Wacksman, vice-presidente de crescimento da agência americana R/GA, do grupo Interpublic.


‘Mas, na era digital, são as pessoas que vão em busca de informação quando querem comprar um carro, um computador ou um serviço.’ E as empresas, diz ele, ‘têm de estar preparadas para que esse contato se dê de forma a encantar o consumidor’.


A R/GA é uma das agências mais badaladas do momento. É responsável pela comunicação digital da Nike.


Em 2007, ganhou o leão de titanium, categoria mais importante do Festival Internacional de Publicidade de Cannes, França, com um trabalho que desafia o conceito de campanha publicitária.


A agência criou o Nike Plus, um chip que é colocado nos tênis da marca e que se comunica com o iPod ou o iPhone. É ao mesmo tempo um produto/serviço e uma plataforma de comunicação.


Ele armazena informações sobre treinos e corridas e permite compartilhar essas informações de forma automática no Twitter ou em redes sociais como Facebook.


É um serviço útil para corredores e que ajuda a fidelizar: quem usa o chip, na hora de trocar de tênis vai comprar outro Nike. E o consumidor fidelizado divulga a marca nas redes sociais.


‘Entreter, prestar serviço, facilitar a troca de informação sobre a marca entre os consumidores, há várias formas de estabelecer pontos de contato com o cliente’, diz Wacksman, que conversou com a Folha em Cannes na semana passada, depois de realizar uma palestra sobre o futuro das agências.


O Grand Prix na categoria titanium em Cannes neste ano também aponta no mesmo caminho da comunicação que presta serviço.


A rede varejista de eletroeletrônicos americana BestBuy inovou ao colocar sua equipe de 2.000 vendedores no Twitter respondendo às dúvidas de consumidores.


Uma campanha de TV foi ao ar divulgando não o site da empresa, mas o endereço no Twitter (@twelpforce).


NOVO MODELO


Para criar esse tipo de campanha, diz Wacksman, é preciso redesenhar as agências de publicidade.


Tradicionalmente, 80% do gasto dos anunciantes vai para compra de mídia (80%). O resto vai para produção das peças e filmes, serviço que costuma ser terceirizado.


Na era digital, a proporção se inverte: os custos de veiculação são menores -muitas campanhas são virais, difundindo-se gratuitamente-, e a produção consome a maior parte do orçamento.


‘A produção é intensiva, muitas vezes envolve o desenvolvimento de softwares, e precisa ser feita internamente, de forma integrada com o processo de criação da agência’, diz o executivo.’


 


 


 


************

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem