Sábado, 06 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

CBF e Globo vs Clube dos 13

24/02/2011 na edição 630


Folha de S. Paulo, 24/2


Eduardo Ohata e Martín Fernandez


Queda de braço


A Globo e a CBF venceram este round. O Clube dos 13 rachou e corre sério risco de ser extinto. A entidade, que congregava os 20 maiores clubes do país e que tinha como função negociar os contratos de TV do Campeonato Brasileiro, sofreu várias deserções.


O Corinthians foi o primeiro a sair. Logo atrás foram os quatro do Rio, Coritiba, Grêmio, Goiás e Vitória.


A lista tende a aumentar: Santos, Palmeiras, Portuguesa e Cruzeiro devem abandonar o Clube dos 13 em breve.


A debandada se deu no mesmo dia em que o C13 preparou o edital que nortearia a negociação do próximo contrato de transmissão do Brasileiro, no triênio 2012-2014.


O Campeonato Brasileiro deste ano não muda: será transmitido por Globo, Band e Sportv. Para o ano que vem, os dissidentes acenam com a criação de uma liga, sem os clubes do C13.


A ideia tem a simpatia da CBF, que desde o ano passado é inimiga do Clube dos 13, mas ainda é embrionária.


Os descontentes -Corinthians e clubes cariocas à frente- argumentam que podem conseguir mais dinheiro se negociarem isoladamente. A entidade rebate que, em grupo, vai arrecadar mais.


De acordo com o atual contrato, que termina neste ano, a Globo paga cerca de R$ 400 milhões por ano para o C13. O contrato inclui TV aberta, TV paga, internet, pay-per-view e placas de publicidade.


A associação anunciou ontem que, com o novo modelo de concorrência, espera arrecadar no mínimo R$ 1,3 bilhão por temporada.


Para essa negociação, não há mais a ‘cláusula de preferência’, que permitia à Globo tomar conhecimento de outras propostas feitas pelo torneio e igualar esse valor.


A cláusula foi derrubada no ano passado pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).


O C13 definiu que as propostas para compra dos direitos das três próximas edições do Brasileiro serão feitas com envelopes fechados. O valor mínimo, para TV aberta, é de R$ 500 milhões/ano.


Outros R$ 800 milhões anuais viriam, segundo o C13, de pay-per-view, celular, internet, TV fechada e placas de publicidade. A intenção do C13 era vender cada pacote separadamente.


Até anteontem, Globo, Record e RedeTV! se mostravam interessadas em comprar as próximas três edições do Brasileiro. Ontem, assim que Corinthians e os quatro do Rio saíram, a Globo afirmou que não faria proposta.


‘A emissora saiu de sua zona de conforto ao perder a cláusula de preferência’, criticou Ataíde Gil Guerreiro, diretor-executivo do Clube dos 13. ‘Não quer fazer a concorrência com a lisura e a transparência que queremos.’


A Globo não comentou.


Andres Sanchez não escondeu a satisfação quando a emissora se retirou da concorrência. ‘Do jeito que estava, só poderia dar nisso.’

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