Sábado, 11 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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VOZ DOS OUVIDORES >

Mara Gama

01/06/2010 na edição 592

‘O leitor Luis questionou o UOL sobre o resultado da pesquisa eleitoral do instituto Vox Populi. Em mensagem enviada no último dia 16 de maio, Luis perguntou: ‘Segundo o Instituto Vox Populi, a candidata Dilma (Rousseff) passou a frente do candidato Serra. Esta não é uma notícia importante? Por que não está na capa do site? Para muita gente, esta atitude é tendenciosa. Ponham esta notícia no ar’.

A pesquisa foi bem destacada. Esteve na segunda manchete da home page do UOL. Mas o horário era ingrato: de 21h do dia 15 de maio, um sábado, até 7h do dia 16, domingo:

Eleições – Pesquisa Vox Populi traz Dilma com 38% e Serra com 35%

Depois caiu para a área de notícias, onde permaneceu até 11h do dia 16.

Eleições 2010 – Pesquisa Vox Populi mostra Dilma com 38% e Serra com 35%

O leitor recebeu a informação e quis saber se o UOL achava o tempo suficiente. A Redação não quis responder.

Respondi ao leitor que considero difícil avaliar um tempo ideal de exposição, porque o noticiário é dinâmico, as pesquisas são divulgadas em dias diferentes, geram fatos políticos diferentes. Mas que, mesmo considerando isso, acho que deveria haver alguma padronização na divulgação de resultados das pesquisas.

***

Acompanhei as pesquisas seguintes, para ver como o assunto está sendo tratado e se há alguma regularidade.

Dois dias depois, em 17 de maio, uma segunda-feira, a pesquisa Sensus esteve na home page do UOL com manchete e uma chamada. Às 12h, a chamada era:

CNT/Sensus – Pesquisa coloca Dilma 2,5 pontos acima de Serra

Às 13h a chamada foi corrigida e permaneceu assim até 20h:

CNT/Sensus – Pesquisa indica empate técnico de Dilma e Serra

Às 21h, a chamada caiu para o box de Notícias, onde permaneceu por uma hora apenas.

Corrida presidencial – Pesquisa CNT/Sensus indica empate técnico entre Serra e Dilma; petista aparece na frente

Às 12h do dia 18, houve chamada repercutindo a pesquisa do CNT/Sensus do dia anterior.

Eleições – No Ceará, Serra diz que ‘pesquisa vai e vem’

Às 13h, ela se transformou em uma sub-chamada e permaneceu assim até 14h.

Em entrevista no Ceará, Serra diz que ‘pesquisa vai e vem’

***

No dia 22, foi o dia da publicação da última pesquisa Datafolha. Das 8h às 14h, a home page exibiu manchete para o assunto:

Folha.com – Dilma sobe e empata com Serra, aponta Datafolha

Das 15h às 20h, houve repercussão do resultado e chamada para a pesquisa:

Empate em pesquisa

Dilma tem cautela; PSDB aponta influência de Lula

Datafolha: Dilma sobe e empata com Serra

No mesmo dia 22, às 21h, até às 7h do dia 23, a repercussão da pesquisa continuava tendo destaque na home page:

Empate em pesquisa – Dilma adota cautela, e PSDB aponta influência de Lula

No dia 23 pela manhã, das 8h às 14, dados sobre a performance da candidatura Dilma ocuparam a manchete:

Eleições 2010 – Dilma cresceu em todas as regiões do Brasil

***

A conclusão no caso das últimas pesquisas de maio é que repercussão, análise e detalhamentos da pesquisa Datafolha tiveram mais destaque, comparativamente, que os de outras pesquisas eleitorais.

O Datafolha é uma empresa do Grupo Folha. O Grupo Folha é acionista do UOL. Por considerar o Datafolha um dos mais importantes institutos de pesquisa do país, o UOL divulga regularmente as pesquisas de intenção de voto do Datafolha. Publica também resultados de outros institutos, como pode ser visto no seguinte endereço: http://noticias.uol.com.br/politica/pesquisas/

Acho que a Redação tem o direito de avaliar e contextualizar de forma diferente cada pesquisa, de acordo com o dia.

Mas defendo que haja alguma padronização, de forma que o público que frequenta o portal em horários diferentes possa ter acesso aos resultados. Reservar um espaço diferenciado como aquele utilizado por eventos ao vivo ou Placar UOL durante 24h após o momento de divulgação pode ser um padrão. Não tolhe a liberdade de edição. E garante exposição de informação importante neste ano de eleição.

***

Anônimos e meramente ilustrativos (25/5/10)

É bem construída, do ponto de vista do encadeamento narrativo e de edição, a reportagem em vídeo colocada no ar as 19h48 desta terça, 25, sobre a nova linha do metrô em São Paulo. Duas estações foram inauguradas para operação especial – fora de horários de pico – nesta terça: Faria Lima e Paulista.

O título anuncia que serão apresentadas as opiniões de passageiros sobre a nova via do metrô (a linha 4, Amarela).

A reportagem colheu imagens das instalações e de viagens inaugurais na linha.

Passageiros ilustres, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab e o governador de São Paulo Alberto Goldman aparecem no vídeo, mas não dão depoimentos.

A reportagem dá várias informações de forma correta, com o repórter em off: não há banheiros, celular não pega, quais são os horários de operação, datas prometidas para operação de novas estações, sistema de gestão da linha Amarela.

Mas apenas três passageiros dão opinião. E não aparecem seus nomes, idades, ocupações.

A primeira entrevistada diz que ‘gostou’, mas que ‘é mais estreito’.

Será? Ficamos sem saber se é uma impressão da passageira ou se é verdade. O repórter, em cena ou por meio de locução em off, deveria esclarecer se é fato.

O segundo entrevistado é um metroviário. Critica o fato de os trens não terem condutores e o fato de a operação da linha ser privada.

Ele diz que a falta de condutores é perigosa. Diz que as máquinas podem errar. E palpita que o ideal seria que o metrô fosse do governo, pois, segundo seu raciocínio, as empresas privadas costumam enxugar o número de funcionários. A reportagem registra a opinião e não fornece a quem vai receber a informação nenhum dado que permita sair da impressão e analisar o assunto. E nem ouve a operadora sobre esta crítica.

O terceiro entrevistado diz que tem nacionalidade coreana, que na Coréia há bom padrão de conforto, que os trens da linha Amarela foram importados de lá.

Senti falta de mais gente falando, de opiniões sobre outros aspectos, de gente de idades variadas, de saber quem são estas pessoas, e de um melhor aproveitamento dos depoimentos.

Da forma como estão, me parecem meramente ilustrativos. O público entrevistado deveria ser um parâmetro para desenvolvimento da matéria, se as impressões fossem usadas como gancho para os esclarecimentos que a matéria deixa de fazer. O entrevistado pode dar mais vida à reportagem.’

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