Sábado, 11 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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O candidato e a Guerra do Vietnã

25/05/2010 na edição 591

Na semana passada, o New York Times noticiou que o procurador-geral de Connecticut e candidato democrata ao Senado americano, Richard Blumenthal, alegou falsamente, em diferentes ocasiões, ter servido na guerra do Vietnã. Em um ano de eleições com o controle do Congresso em jogo, a matéria recebeu diversas críticas – a maior parte delas ao NYTimes, relata o ombudsman Clark Hoyt [23/5/10].

O jornal citou diversos momentos nos quais Blumenthal fez declarações ‘completamente falsas’ sobre seu serviço militar e postou um trecho de um vídeo de 2008 no qual ele dizia ‘ter aprendido algo importante desde que serviu no Vietnã’. Na realidade, depois de ter recebido cinco deferimentos e de ter enfrentado uma possibilidade de ser escolhido para servir, ele juntou-se à reserva e evitou ir a combate.

Falha na comunicação

Em uma coletiva de imprensa, Blumenthal assumiu completa responsabilidade por ter ‘dado a impressão errada’ sobre o fato de ter servido no Vietnã, mas disse que nunca teve a intenção de enganar ninguém. Uma fonte citada no artigo juntou-se ao procurador na coletiva e refutou a citação publicada no NYTimes. Howard Dean, ex-presidente do Comitê Nacional Democrata, classificou a matéria como ‘plantada pela oposição’. Alguns jornalistas de Connecticut que cobrem Blumenthal disseram que nunca tiveram a impressão de que ele foi à guerra. O NYTimes foi criticado por ter editado o vídeo, que era a maior evidência do fato de ele ter mentido.

Os leitores alegaram que o NYTimes tinha obrigação de informar a fonte da matéria – especialmente se foi algum oponente republicano. Segundo o editor-executivo Bill Keller, o jornal obteve um DVD com o discurso na íntegra de uma fonte que não estava ligada à campanha republicana. Carolyn Ryan, editora do artigo, falou com especialistas que lhe garantiram que o DVD não havia sido adulterado. O jornal fez, ainda, uma extensa apuração independente sobre o tema. Por meio de um pedido sob o Ato de Liberdade de Informação, foram obtidos os registros militares de Blumenthal. Também foram entrevistados membros de uma unidade da reserva na qual ele serviu e feita uma pesquisa nos arquivos do NYTimes. Na opinião de Hoyt, o jornal deveria ter informado como a ideia da matéria surgiu, ter reforçado que sua biografia oficial estava correta e divulgado o vídeo na íntegra, para que os leitores fizessem seu próprio julgamento do caso.

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