Quarta-feira, 27 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

Paulo Rogério

22/02/2011 na edição 630

‘‘A mídia é conservadora, tem uma visão preconceituosa sobre direitos humanos e sociais’ – Mário Augusto Jakobskind, jornalista

Estaria a imprensa estigmatizando uma geração ou a imprensa apenas reflete pensamento da sociedade? A dúvida foi levantada pelo leitor Márcio Bessa após O POVO estampar, no sábado (12), a manchete: ‘Crueldade e morte’ que relatou assassinato do jovem Webster Saldanha, 18, em um assalto a ônibus cometido por dois adolescentes. Bessa avalia que a matéria deveria ter, além dos dados familiares da vítima, também a dos infratores. ‘Quem são? Em que tipo de ambiente familiar e social viveram?’.

Na mesma página foi publicada foto de duas crianças sobre os escombros de suas casas, desapropriadas e demolidas. ‘Qual o futuro desses meninos?’. Para ele uma abordagem sem aprofundamento pode incentivar o preconceito a ponto de surgiram teorias de que ‘os direitos humanos não devam alcançar os criminosos’ alertou. Pois bem. A questão social e da violência urbana vai muito além do espaço – e da finalidade – dessa coluna. Já a abordagem jornalística, não.

A matéria em questão, a meu ver, não teve tom sensacionalista. Tratou do drama familiar e da banalidade da morte. Um retrato dos nossos dias. Poderia sim ter mostrado o perfil social dos acusados, o que sugeri no comentário interno e não foi feito. Mas a imprensa pode e deve ter papel mais atuante e mostrar como esses adolescentes infratores são tratados, questionar programas de recuperação e incentivar fortalecimento da família.

Nem tudo é beleza

O jornal iniciou a semana vendendo a manchete, na segunda-feira, que ‘Fortalezense redescobre a Praia de Iracema’. O assunto foi debatido em três matérias com foco na revitalização do boêmio local. Apesar das várias fontes oficiais ouvidas, a tese de que o fortalezense está voltando não vingou. Apenas quatro frequentadores foram ouvidas. Todos elogiando beleza das obras, mas reclamando da desestimulante insegurança. Um medo causado pelo comércio de drogas e da prostituição. Temas onde o jornal deveria ter cobrado ações práticas e não o fez.

Ocupando espaços

Depois de iniciar o ano longe da mídia, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins – que em maio de 2010 chegou a fazer greve contra O POVO em repúdio à publicação de uma matéria – ganhou espaço fixo no jornal. Agora, todas às terças-feiras ela é articulista de Opinião. O fato coincidiu com uma série de declarações polêmicas que a tiraram do ostracismo. O leitor João Ricardo criticou o destaque a essas bravatas. ‘Parece que o jornal virou uma secretaria de imprensa’.

Segunda a Chefia de Redação o convite para os artigos partiu do próprio jornal. Foi extensivo ao governador Cid Gomes e ao ex-senador Tasso Jereissati. O governador já aceitou. A chefia afirma que a proposta é assegurar o máximo de diversidade. ‘Todos os colaboradores qualificados para expor pontos de vista sem que isso faça do jornal um espaço oficial’. Também não vejo nada demais. Que outros gestores saibam usar espaços para prestar contas.

Dinheiro e fé

Nem só de críticas os colunistas são alvos. O leitor Kadmon Costa elogiou a efetivação de novos profissionais. Na editoria de Economia, como a defensora pública Amélia Rocha, da coluna Direito do Consumidor. ‘São profissionais acessíveis e que tratam de assuntos de grande utilidade’. Outra leitora ressalta importância da seção ‘Evangelho do Dia’ do Populares. ‘Muitos só começam o dia depois dessa leitura’ lembrou, pedindo um pouco mais de atenção na sequência dos textos.

Driblando imprensa

Com Fortaleza repleta de obras, tem sido grande a quantidade de matérias sobre trânsito e buracos. A pauta até que tem sido bem debatida, mas para alguns leitores os jornalistas têm ‘engolido’ facilmente as justificativas da AMC e Transfor. ‘É preciso ouvir a palavra técnica de outros especialistas. Muitas afirmações são sem sentido’ reclamou o engenheiro Ricardo Albuquerque. E ele tem razão. A imprensa tem deixado os gestores sem qualquer tipo de confronto técnico. E repórter não é engenheiro, tem que perguntar a quem entende.

Esquecido pela mídia: Promessa de reforma do Largo do Advogado, na avenida Domingos Olímpio.

FOMOS BEM

DENGUE

Jornal passou a educar população com matérias constantes sobre sintomas e prevenção.

FOMOS MAL

RONALDO

Cobertura ‘especial’ foi tímida, pobre de fotos históricas do jogador e demorou a contestar ligação do tratamento a doping’

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