Quinta-feira, 02 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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VOZ DOS OUVIDORES >

Paulo Rogério

04/05/2010 na edição 588

‘O nome do nosso jogo é competição. Temos de ser mais eficientes e mais competitivos que nossos adversários.’ – Abílio Diniz, empresário

‘O que fazer se você liga para um local, na ânsia de resolver um problema, e uma máquina o atende, impondo uma musica irritante por, um, dois, até cinco minutos? Desligar e procurar outro caminho. Essa foi a solução encontrada por nada menos que 22 leitores na última segunda-feira, dia 26 de abril. Um número recorde de ligações para o telefone do ombudsman. Já às 9 horas, quando inicio o atendimento, 10 gravações estavam registradas na secretária eletrônica. Todas com um único discurso: o jornal atrasou e a Central de Atendimento ao Leitor e Assinante não atende.

‘A gente fica ouvindo essa musica chata até cair a linha. É uma falta de respeito’ desabafou Roberto Tavares, pouco depois das 8 horas, ainda sem saber o que aconteceu com seu jornal. Francisco Assis Mendes recebeu seu exemplar sem o caderno Gol, justamente onde estavam as matérias sobre o clássico Ceará x Fortaleza, manchete do O POVO daquele dia. ‘Isso é um abuso. Pior que a gente liga e só toca uma música’ afirmou. As ligações foram sucessivas reclamando não só do atraso, mas da falta de um esclarecimento.

Números recordes

Antes, cabe um esclarecimento. As atividades do ombudsman do O POVO, segundo regimento do próprio jornal, não se restringem somente à análise e à crítica dos conteúdos editoriais. Também cabe receber e encaminhar reclamações de leitores a todos os setores do jornal. Pois bem, a Central de Atendimentos é o primeiro canal entre os leitores e o jornal, principalmente os assinantes. Infelizmente tem problemas. ‘Não é a primeira vez que atrasa e quando ligo fica tocando uma música. Não tenho tempo para isso’ criticou Euclides Câmara. O jornalista Edvaldo Filho, que mora próximo ao jornal, diz que dos sete dias da semana em pelo menos três há atrasos e acaba comprando próximo de casa. ‘É preciso respeito ao assinante’ afirmou ele, alegando cansaço de tanto esperar ser bem atendido.

O atraso foi justificado ao ombudsman. Uma peça da impressora quebrou, atrapalhando a impressão e consequentemente a encadernação e a distribuição. Ainda às 14 horas havia gente recebendo jornal. Para evitar novos aborrecimentos, no dia seguinte o número de páginas diminuiu. Em relatório interno, os números confirmam o recorde de ligações para a Central. Segundo relatório do diretor do Mercado Leitor, Victor Chidid, foram 1948 ligações. E a prova da precariedade do atendimento, apesar dos esforços, foi visível. Apenas 529 ligações foram atendidas As demais ficaram na fila, ouvindo musica.

Segundo Chidid, a Central é dimensionada para receber 300 ligações. Quando ultrapassa esse número – casos de atraso do jornal – acontece a demora. São 15 linhas para atendimentos ativos e receptivos, com 10 operadores. Na segunda-, para tentar suprir demanda mais cinco foram deslocados. Ele afirmou que há estudos para mudanças. Já com relação ao horário de entrega, em condições normais, ela começa às 4h30min. A tal ‘musiqueta’ deve continuar.

Novos articulistas

A Editoria de Opinião anunciou no sábado (24) seu novo grupo de articulistas, em uma renovação sempre aplaudida, garantindo a pluralidade de opiniões. Todo dia, dois deles terão espaço fixo na página 6, uma das mais nobres do jornal. São jornalistas da casa, presidentes de entidades e representantes das mais variadas tendências. Um terceiro espaço ficará em aberto, para os leitores. A leitora Edna Bessa elogiou as mudanças, mas questionou os critérios. ‘Tem que ser presidente de algo para ser convidado? Tem sete presidentes de associações’ reclamou.

A leitora sugere que, da próxima vez, se faça uma enquete entre os leitores. Segundo Manoella Monteiro, editora de Opinião, a escolha partiu de um processo que durou quase dois anos. Os editores da cada área indicaram vários nomes, que passaram a ser selecionados, incluindo como critério, a qualidade dos textos que poderiam produzir. ‘Não é porque são representantes de associações que foram escolhidos. Aquele que são, a gente procurou alguém para fazer o contraponto’ explicou.

Pouco debate

O tema pedofilia da igreja católica volta a ser questionado pelo leitor Armando Bispo, também colunista do caderno Veículos do O POVO. ‘Um terror que se abate sobre os inocentes sob o patrocínio da libertinagem institucional, da omissão do poder público e, o pior, sob o manto da sagrada Igreja’ afirma ele. Segundo Bispo, a imprensa ainda deve uma cobertura mais ampla. ‘Seria demais pedir uma matéria ou uma série de matérias elucidativas, com números e fatos puramente jornalísticos?’ questionou. A cobrança já foi feita internamente à Redação e na coluna publicada dia 3 de abril.

O POVO ainda trouxe o assunto em entrevista com o Núncio apostólico do Brasil, dom Lorenzo Baldisseri, em matéria publicada dia 11 de abril. Porém, pela importância do tema, a imprensa ainda não mostrou uma radiografia exata dos casos e consequências, inclusive com a discussão entre os religiosos cearenses, psicólogos e legisladores. Armando Bispo cobra o debate local. O leitor, que também é pastor da Igreja Batista Central, acha que as demais doutrinas continuam na mira da mídia diante do menor deslize. ‘Continuo achando que ainda não fizemos o dever de casa no que tange aos fatos e a ampliação do debate’ finalizou.’

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