Quinta-feira, 09 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Superando a recessão

18/05/2010 na edição 590

Dados recentes que mostram queda acentuada na tiragem do Washington Post provocaram comentários de leitores, muitos das quais demonstraram sentimentos de ansiedade e satisfação, afirma o ombudsman Andrew Alexander em sua coluna de domingo [16/5/10]. Assinantes mais antigos, que em sua maioria não leem as notícias online, expressaram medo de que a edição impressa do jornal desapareça em breve. Já os críticos da cobertura e editoriais do Post celebram a queda no número de leitores.

Alexander esclarece: o jornal não vai acabar e, embora a tiragem esteja em declínio, o número combinado de leitores das edições impressa e online nunca foi tão grande. Os novos dados mostram que, de outubro a março de 2010, a tiragem nos dias de semana caiu 13,1%, enquanto a de domingo apresentou queda de 8,2%, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Na realidade, os números parecem piores do que realmente são. A tiragem no ano anterior foi alta porque o Post vendeu mais de um milhão de cópias extras quando o presidente Barack Obama assumiu o cargo. O declínio é mais modesto quando comparado à queda na tiragem de assinantes: 6,4% nos dias de semana e 5,7% aos domingos.

Ainda assim, trata-se de uma tendência preocupante. A tiragem dos dias de semana é atualmente de 578.500 cópias, bem abaixo do pico de 830.000 em 1994. Já a da edição dominical fica em torno de 800.000; a marca foi de mais de 1,1 milhão em 1992. Os números de circulação são os mais baixos em 30 anos.

Para piorar, muitos leitores estão chateados com o recente aumento do preço de capa. Em janeiro, o preço da assinatura subiu US$ 0,10, para US$ 0,59/dia. No mês anterior, o valor de banca subiu de US$ 0,50 a US$ 0,75 nos dias de semana e de US$ 1,50 a US$ 2 aos domingos. O aumento foi necessário por conta de um contínuo declínio nos lucros publicitários. No ano passado, o Post chegou a ter prejuízo. Embora tenha registrado um quarto trimestre rentável, os lucros do primeiro trimestre caíram 8%, comparado ao mesmo período do ano anterior.

Futuro positivo

Ainda assim, Alexander garante que o Post sobreviverá. A penetração de mercado do jornal permanece a maior entre os diários americanos nas áreas metropolitanas. Segundo a empresa Scarborough Research, no ano passado o Post deteve 33% do mercado nos dias de semana e 44% aos domingos. Além disso, a cidade de Washington é a que tem o maior mercado de pessoas com alto índice de educação e boa condição financeira – um prato cheio para anunciantes –, ficando lado a lado com São Francisco na alta proporção de baby boomers, que preferem o impresso ao online.

Por anos, o Post evitou a queda na circulação mantendo o preço de capa e assinatura baixo. Em jornais nas regiões metropolitanas, a publicidade é responsável por 70 a 75% dos lucros, com a tiragem sendo responsável pelo restante. Mesmo com o aumento de preço para compensar as perdas com anúncios, o Post é mais barato que seus rivais.

Mas, para manter um jornalismo de qualidade, o jornal precisa minimizar a queda na tiragem e encontrar um meio de aumentar os lucros. A audiência média mensal de seu site é maior do que nunca, mas é preciso investir em novos produtos para gerar mais lucro. O jornal ainda não explora como poderia aparelhos móveis, como o iPad. Um comitê apresentará em breve recomendações para dinamizar a edição dominical.

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