Quinta-feira, 04 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Tânia Alves

Por Leticia Nunes em 30/06/2015 na edição 857

Na quarta-feira passada, O POVO destacou na manchete: “Câmara rejeita diversidade sexual no Plano de Educação” (ver fac-símile). A matéria informava que o projeto criando o Plano Municipal de Educação, enviado pela Prefeitura de Fortaleza, tinha sido aprovado após acirrados debates em uma sessão que durou cerca de 10 horas. Naquele dia, o que mais me chamou a atenção foi como um assunto tão indispensável quanto aquele fosse aprovado sem que houvesse um debate consistente nas páginas do jornal. Nos meses que antecederam a votação, nenhuma matéria sobre o assunto foi publicada nas páginas do O POVO. Nenhum debate foi introduzido para informar sobre a importância do plano que traçou diretrizes e metas para a educação municipal até o ano de 2025. Para além do debate específico sobre a diversidade que dominou a sessão na Câmara Municipal naquele dia, a Redação omitiu para os leitores como era valioso aquele momento para o ensino em Fortaleza.

Com ajuda do Banco de Dados do O POVO, que providenciou pesquisa, verifiquei que, antes da aprovação, o texto anterior sobre o Plano Municipal de Educação havia sido publicado na Editoria Cotidiano, no dia 26 de junho de 2014, logo após a aprovação do projeto em nível nacional pela Câmara dos Deputados. De lá para cá, nada que pudesse dimensionar o valor de debater a questão com vistas ao futuro. Nem as pré-conferências para a elaboração do documento, ou mesmo a realização da IV Conferência Municipal de Educação de Fortaleza, de 22 a 24 de maio passado, foi capaz de mobilizar atenção da Redação. Ignorou-se um assunto indispensável para a formatação de uma política de ensino de qualidade, tão solicitada e discutida hoje em dia. E nisso me incluo, pois fui editora-executiva do Núcleo Cotidiano até dezembro passado.

Falha reconhecida

Citados para comentar a questão, o editor-executivo do Núcleo de Conjuntura, Guálter George, e as editoras adjuntas do Núcleo Cotidiano, Lucinthya Gomes e Mariana Lazari, reconhecem que houve falta no acompanhamento das discussões sobre o plano municipal. Guálter explicou que é necessário entender a dinâmica da pauta diária que acaba “determinando situações posteriormente entendidas como erros editoriais. Como acontece no caso”. Ressalta que, em vários momentos, o tema foi incluído na pauta, mas, prejudicado pelos critérios da urgência e da oportunidade, acabou preterido. “Fica, do episódio, a compreensão definitiva do quanto é importante fortalecer dentro do núcleo de Conjuntura a ideia, já bastante discutida entre nós, de que apenas acompanhar a pauta parlamentar não nos permite focar nos temas que são realmente fundamentais à sociedade”, acrescentou. Os editores convergem na necessidade de repor a falha. O Cotidiano, por exemplo, informa Lucinthya, já planeja a cobertura da Conferência Estadual da Educação.

Aprendizado

O POVO tem dedicado espaço considerável, ao longo dos anos, ao tema educação. O assunto perpassa por praticamente todas as editorias do jornal seja divulgando indicadores, apontando exemplos positivos na gestão ou difundindo investimentos para a área. Por isso, torna-se estranho não acompanhar devidamente a elaboração do plano. As metas e diretrizes que Fortaleza precisa cumprir na área de educação até o ano de 2025 só foram conhecidas após a aprovação do projeto, numa matéria publicada na quinta-feira passada. O reconhecimento da falha pelos editores é didático e serve de aprendizado para que a atenção se volte posteriormente para o acompanhamento das metas previstas.

Faltou informação básica

Recebi email de um leitor na quinta-feira passada questionando a falta de uma informação em uma matéria postada no O POVO Online na quarta-feira passada com o título: “Decon autua duas clínicas de estética na Capital”. ‘Qual o motivo do O POVO não citar o nome dos autuados’. Outro leitor deixou um comentário no texto em que reclamava da mesma questão: ‘Seria ótimo se dissessem os nomes das clínicas, pois assim a informação estaria completa’. De fato, publicar os nomes das clínicas autuadas seria essencial para a notícia.

Enviei email para a Redação perguntando por que a denominação das duas clínicas não foi citada. Em resposta, o editor-adjunto do Portal, Thadeu Braga, informou que o nome não foi disponibilizado pelo Decon no comunicado enviado à Redação. Com a matéria já postada, houve tentativa de conseguir o dado, porém sem sucesso.

Em casos assim, se o órgão não envia o comunicado com todas as informações necessárias, cabe ao jornalista buscá-las na fonte. Notícia com dados incompletos pode gerar dúvidas no leitor de que houve interferência externa.

***

Tânia Alves é ombudsman do jornal O Povo

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